17/11/2020 às 16h45min - Atualizada em 17/11/2020 às 16h45min

Os árabes preocupados com o apoio da "Irmandade Mulçumana" a Biden, declaram: "Não repita o erro de Barack Obama"

A mensagem que os árabes estão mandando ao novo governo dos EUA é a seguinte: não repita os erros do ex-presidente Barack Obama, cujo governo tomou partido do então presidente egípcio Mohammed Morsi, membro da Irmandade Muçulmana.

Cristina Barroso
Gatestone Institute
9REPRODUÇÃO)
Será que o novo governo dos Estados Unidos, provavelmente sob o comando de Joe Biden, irá ajudar a ressuscitar a Irmandade Muçulmana, considerada uma organização terrorista pelo Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Síria?

Por que tanto regozijo da Irmandade Muçulmana em relação à "vitória" de Joe Biden?

Certa parcela da população árabe diz estar preocupada em ver a Irmandade Muçulmana celebrar os resultados da eleição presidencial americana. Eles temem que a Irmandade Muçulmana, apoiada pelo Catar e pela Turquia, esteja se preparando para voltar a ficar na crista da onda diante da provável administração Joe Biden.

A mensagem que os árabes estão mandando ao novo governo dos EUA é a seguinte: não repita os erros do ex-presidente Barack Obama, cujo governo tomou partido do então presidente egípcio Mohammed Morsi, membro da Irmandade Muçulmana.

Os árabes também querem lembrar à nova administração americana, caso seja confirmada, que os islamitas e seus apoiadores são mentirosos deslavados que só olham para seus próprios umbigos.

"Ativistas da Irmandade Muçulmana e os órgãos de imprensa parecem entusiasmadíssimos com o progresso do candidato democrata Joe Biden nos resultados das eleições americanas", segundo o jornal londrino The Arab Weekly.

"Analistas atribuíram tal entusiasmo ao desejo da Irmandade Muçulmana de revivenciar a era do ex-presidente Barack Obama, na qual eles desempenharam um papel notável, nadando de braçada nos levantes da 'Primavera Árabe'"...
"Ativistas pró-Irmandade Muçulmana e profissionais da mídia do Egito, Tunísia, Iêmen e países do Golfo não disfarçam suas preces a favor de Biden...

"Desde o início a Irmandade Muçulmana não escondeu seu forte viés a favor de Biden. Eles o pintaram como apoiador do Islã e dos muçulmanos, destacando o fato de que ele menciona os hádices do Profeta (Maomé)..."
Na semana passada, a Irmandade Muçulmana publicou uma declaração em seu site oficial na qual destacou que "admira o processo eleitoral americano, que resultou na conquista do cargo de Presidente dos Estados Unidos por Joe Biden, vitória esta que prova que o povo americano ainda é capaz de impor sua vontade."

A organização tachada de terrorista, salientou de cara fechada, que "deseja a Joe Biden, ao povo americano e aos povos do mundo todo que continuem a viver com dignidade sob os princípios da liberdade, justiça, democracia e respeito aos direitos humanos".
A Irmandade Muçulmana pediu a Biden "que revise as políticas de apoio às ditaduras árabes e aos crimes e violações cometidos pelos regimes tirânicos nos quatro cantos da terra."

A declaração causou preocupação em um punhado de árabes, muitos dos quais zombaram da conversa da Irmandade Muçulmana sobre "liberdade, justiça, democracia e respeito pelos direitos humanos".

O escritor saudita Tariq Al-Homayed observou:
"Como era de se esperar, a organização Irmandade Muçulmana saiu da toca emitindo um comunicado parabenizando Joe Biden, aproveitando o ensejo para pedir que ele aja contra aqueles que ela chama de ditaduras... Dizemos como era de se esperar, porque a Irmandade Muçulmana, que costumava condenar aqueles que a criticavam como agentes do Ocidente e sionistas revelaram sua face e agora pedem que os Estados Unidos intervenham em nossos países dando ouvidos à sua conversa fiada sobre democracia".

Al-Homayed pondera não ter ficado claro se as ditaduras que a Irmandade Muçulmana se refere incluem o Irã, a Turquia e o Catar. "A Irmandade Muçulmana se refere àquelas ditaduras que querem proteger os países árabes do mal da Irmandade Muçulmana, de suas mentiras e de seu terrorismo?", perguntou ele.

Al-Homayed destacou que a Irmandade Muçulmana ficou enlutada com a morte de Qassem Soleimani, comandante da Força Quds do Irã, "que lutou contra iraquianos, sírios e libaneses e foi o arquiteto da devastação na região".
Soleimani foi assassinado em um ataque cirúrgico de drones americanos em 3 de janeiro de 2020 em Bagdá. Ele foi punido com sanções pelas Nações Unidas e também pela União Européia, além de ter sido classificado de terrorista pelos EUA em 2005.
 
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