29/10/2020 às 15h16min - Atualizada em 29/10/2020 às 15h16min

Após crescimento da aprovação de Bolsonaro no Nordeste, ​Lula e Ciro Gomes fazem as pazes

Conversa indica uma possível aliança para tirar Jair Bolsonaro do poder em 2022

Vinicius Mariano
Rompidos desde antes das eleições de 2018, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente do PDT, Ciro Gomes, se reuniram e fizeram as pazes. O encontro aconteceu no mês passado na sede do Instituto Lula, em São Paulo, mas só foi revelado nesta quinta-feira (29) pelo jornal O Globo.

Essa ação pode significar uma possível reaproximação entre os partidos de esquerda para tirar Jair Bolsonaro (sem partido) do poder em 2022. A tratativas para viabilizar a reunião duraram aproximadamente um mês e foram intermediadas pelo governador do Ceará, Camilo Santana, filiado ao PT, mas aliado dos irmãos Gomes em seu estado.

De acordo com O Globo, a reunião durou uma tarde inteira. Ciro teria falado de suas mágoas com o PT, enquanto Lula relembrou ataques ao seu partido. No entanto, o tema central foi Bolsonaro e sua forma de governo.

Desde o mês passado, ambos cessaram as alfinetadas um contra o outro. Atualmente, Lula está inelegível por causa de sua condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá-SP.

Em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, na última segunda-feira (26), o ex-marqueteiro do PT João Santana disse que uma chapa entre Lula e Ciro em 2022 seria imbatível. "Se as esquerdas se unirem em torno de Ciro Gomes, Ciro Gomes pode ser um candidato extremamente viável", disse.

"Lula tem que tirar da cabeça que ele precisa de um novo banho de urna presidencial para se purificar ou para reconstruir a imagem. Ele não precisa disso. Se ele pudesse ser candidato, Lula seria o melhor perfil de vice-presidente que poderia ter. Essa chapa [Ciro e Lula] seria imbatível. Mas os egos, os venenos... É impossível acontecer", completou.

Crescimento de Bolsonaro no Nordeste
O encontro entre os dois líderes de esquerda ocorre após a aprovação do presidente Jair Bolsonaro bater recorde no Nordeste, região dominada até então por Lula e Ciro e reduto da esquerda. No início do mês de outubro, a aprovação do Presidente chegou a 55% na região, conforme noticiou o Tribuna Nacional com base na pesquisa realizada pelo portal Poder360.

A região Nordeste foi a única que, nas eleições de 2018, votou majoritariamente em Fernando Haddad, no segundo turno, candidato que foi derrotado pelo Presidente Jair Bolsonaro há dois anos. Haddad obteve 27.330.157 (vinte e sete milhões trezentos e trinta mil cento e cinquenta e sete),  o que representa aproximadamente 69,5% do eleitorado nordestino, ao passo que Bolsonaro obteve 11.961.136 (onze milhões novecentos e sessenta e um mil cento e trinta e seis), o que significa apenas 30,5%. Com a aprovação do Presidente chegando aos 55% na região, a esquerda tem motivos o suficiente para se preocupar nos próximos anos, pois corre o risco de ver uma guinada à direita em seu único reduto regional no Brasil.
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