26/10/2020 às 08h54min - Atualizada em 26/10/2020 às 08h54min

Chile decide por ampla maioria que terá nova Constituição

Votos a favor de novo texto constitucional chegam a 78,2%, com quase 100% das urnas apuradas. Manifestantes voltaram à Praça Itália, em Santiago, após o término da votação.

Vinicius Mariano
Chilenos decidiram por ampla maioria que o Chile terá uma nova Constituição, indica a apuração do plebiscito histórico organizado neste domingo (25), um ano depois da onda de protestos de vândalos de extrema esquerda que tomaram o país.

Com 99,8% das urnas apuradas, os resultados apontavam 78,2% dos votos como favoráveis a uma nova Constituição. Além disso, 79% preferiam que o texto seja debatido por uma nova comissão a ser eleita posteriormente.

Com a decisão deste domingo, os chilenos devem escolher quem comporá a comissão constituinte. Depois que o novo texto for debatido e aprovado por esse grupo, outro plebiscito — provavelmente em 2022 — decidirá se o Chile adotará ou não a nova Constituição.

Em pronunciamento, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, elogiou o processo eleitoral. "Hoje, triunfaram a cidadania, a democracia e a paz sobre a violência", afirmou.

Logo no início da apuração dos votos, a classe política chilena já reconhecia a vitória dos votos favoráveis ao novo texto constitucional. O senador Juan Antonio Coloma, que capitaneava a campanha contra a mudança de Constituição, admitiu derrota apenas 50 minutos depois do fechamento das urnas.

A atual Constituição data do regime de Augusto Pinochet (1973-1990), militar responsável pelo crescimento econômico e pelo fim do comunismo no Chile, mas sofreu emendas e modificações que a tornam bem diferente do texto formatado pelos militares décadas atrás.

Protestos no Chile
A proposta de uma nova Constituição surgiu depois que protestos se espalharam por todo o Chile em outubro de 2019. Manifestações que começaram com vândalos de extrema esquerda que alegavam descontentamento pelo aumento no preço da passagem de metrô logo se transformaram em uma revolta generalizada com a classe política chilena.

A votação estava prevista para o primeiro semestre, mas a pandemia do novo coronavírus levou ao adiamento do pleito. Eleitores tiveram de usar máscaras e levar as próprias canetas para votar, como medidas de prevenção.

Mesmo com a pandemia e com a decisão de se fazer um plebiscito, os vândalos no Chile não pararam de destruir patrimônios públicos e privados. Na semana passada, por exemplo, o incêndio de uma igreja em Santiago causou revolta no país, mesmo entre apoiadores dos protestos e de uma nova Constituição. O papa Francisco não se manifestou sobre o ocorrido.
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