22/10/2020 às 14h06min - Atualizada em 22/10/2020 às 14h06min

Participação de Raissa em ''A Fazenda'' traz à tona o Transtorno Borderline

Entenda um pouco sobre o distúrbio

Kaio Lopes
Da Redação
RECORD TV (Divulgação)
A participação da modelo e dançarina Raissa Barbosa na atual edição do reality ''A Fazenda'' tem gerado inúmeras discussões a respeito de um transtorno pouco tratado pela mídia e bastante desconhecido da opinião popular: o transtorno Borderline. Esse distúrbio psicológico é relativamente comum no país, afinal, são mais de 2 milhões de casos registrados anualmente no Brasil. No entanto, justamente pela desinformação sobre a condição e pela falta de transparência da Rede Record em relação à situação de Raissa, os telespectadores podem confundir o seu comportamento e atacá-la sem que haja conhecimento da doença. 

O transtorno Borderline, categorizado no grupo B entre os distúrbios de personalidade, prejudica diretamente a relação entre seu paciente e os ambientes pessoais e profissionais, ao passo em que causa angústia, forte pressão psicológica e, por fim, desencadeia em reações desproporcionais aos acontecimentos, incluindo quebra de objetos, agressões físicas e, nos casos mais avançados, até automutilação. O diagnóstico da condição dispensa exames laboratoriais ou de imagem, pois se dá através de ajuda terapêutica ou psiquiátrica. Conhecido também como ''personalidade limítrofre'' - em alusão à inconstância com que atinge seus pacientes, o Borderline se assemelha à padrões emocionais inerentes ao drama e à imprevisibilidade. É aí que reside o X da questão. 

A dançarina tem agido de modo agressivo contra seus colegas de confinamento para mitigar a raiva descontrolada causada pela sua condição. Diante disso, a internet se mobilizou numa campanha sugerindo que Raissa não deveria estar sujeita às tensões de um realty-show sem acompanhamento médico adequado. A Record TV, segundo fontes, se prontificou a ajudar a participante no que fosse necessário e a manter maior cautela e cuidado sobre ela. Apesar disso, espera-se da emissora um esclarecimento AO VIVO, durante a exibição do programa, especialmente àqueles menos interessados no assunto, sobre a condição de Raissa, considerando que, na ausência de uma manifestação oficial da produção, o público pode tirar conclusões precipitadas sobre a mesma. 

Não é a primeira vez, contudo, que a Record TV confina uma personalidade com Borderline; a apresentadora Monique Evans esteve no reality por duas edições consecutivas, nos anos de 2011 e 2012, sendo, inclusive, a vice-campeã neste último ano. Na oportunidade, ela também sofreu com instabilidades descomunais de humor, entendidos equivocadamente como ''frescura'', ''loucura'' ou ''falta de respeito'' pelos demais integrantes. Apesar disso, a trajetória de Evans no programa não se compara à de Raissa, pois ela manteve maior controle sobre o distúrbio, não tendo sido protagonista de nenhuma reação física ameaçadora ou tido destruído aspectos do cenário, a exemplo da segunda. 

É imprescindível, contudo, que estejamos engajados o suficiente para indagarmos: até que ponto deve ser admitido num reality-show uma participante com um transtorno grave de personalidade?
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »