21/10/2020 às 22h22min - Atualizada em 21/10/2020 às 22h22min

DOSSIÊ: por que todos devemos odiar a China

Não há limites na ditadura comunista

Kaio Lopes
Da Redação
(REPRODUÇÃO)
FATOS QUE FARÃO VOCÊ REPENSAR SOBRE A CHINA:

É natural que a China exerça um considerável poder sobre o mundo, pois, afinal, trata-se do país com maior contingente populacional do globo terrestre: são mais de 1,4 bilhão de habitantes. Somado à isso, está o fato de serem os chineses os responsáveis por grandes rotatividades comerciais, industriais e, pelo menos dentro do Oriente, até culturais. Portanto, ainda antes da pandemia desencadeada pela negligência do Partido Comunista Chinês, nos perguntávamos: qual é a real situação da China? quais são seus propósitos? quais são, afinal de contas, suas iniciativas sociais e seus intuitos à nível universal? 

É para isso que estamos aqui: descobriremos juntos um pouco mais sobre uma China pouca propagada pela imprensa tradicional e protegida por seus órgãos subservientes. 

A ANTIDEMOCRACIA CHINESA: Governada pelo famigerado Partido Comunista Chinês, sob o resguardo de Xi Jinping, a China não possui eleições diretas e sequer sinaliza tal possibilidade, pois tem sido comandada pela maior organização política do planeta: são aproximadamente 90 milhões de membros afiliados, número superior às populações da Alemanha, Reino Unido, Itália e França. Segundo a agência CECC (COMISSÃO DE CONGRESSO EXECUTIVO CHINESA) - responsável pela avaliação e monitoramento da liberdade política - existem, atualmente, 1.500 prisioneiros políticos na China - justamente por serem contrários às ideias do PCCh e defenderem suas respectivas crenças religiosas. Dentre tais, estão: líderes religiosos, artistas, jornalistas, dissidentes e representantes dos Direitos Humanos. 
Segundo a ONG Dui Hua, ''diálogo'' em português, responsável por investigar o país há cerca de 40 anos, são 7 mil pessoas presas por razões ideológicas no território chinês.

PERSEGUIÇÃO AOS UIGURES: Esse é o principal alvo da perseguição do Partido Comunista. Os uigures são muçulmanos oriundos da Turcmênia (atual República do Turcomenistão) que vivem, em sua maioria, na região montanhosa e desértica de Xinjiang. É justamente esse territorio autônomo, tomado autoritariamente pela República Popular da China, o principal gerador de reservas do carvão no país, respondendo por 40% de sua obtenção, sem mencionar, ainda, sua influência na indústria petroleira - com 20% das reservas de gás e petróleo, além da mesma proporção sobre o desenvolvimento da energia eólica. 

O PCCh, preocupado com o crescimento dos muçulmanos e seu consequente fator religioso acerca da região, utilizou-se de uma estratégia importante ainda nos anos 90: migrou trabalhadores chineses conhecidos como ''HAN'', cuja dinastia étnica representa 92% da população do país. para Xinjiang, onde foram empregados pelas poderosas companhias industriais e também incumbidos de minarem quaisquer influências dos uigures sobre a cultura local, culminando, a partir daí, num racismo inigualável no âmbito mundial. A China, portanto, mesmo à vista da ONU, mantém 182 campos de concentração, 209 prisões de caráter explorador e - pasmem - 74 campos de trabalho forçado. Conforme relata o Business Insider em seu relatório a respeito da situação, o país insiste que os lugares servem como ''treinamentos vocacionais gratuitos'' para a ''reeducação dos iugeres''. Quando, na prática, trata-se de escravidão em pleno século XXI: são mais de 1 milhão de religiosos torturados nesses espaços. 

Dentro desses ambientes, os muçulmanos são submetidos ao aprendizado obrigatório das doutrinas comunistas, mesmo quando elas contrariam seus princípios religiosos. Precisam, sob pena de tortura, aprender o hino do PCCh e, inclusive, confessar aversão à própria ideologia islâmica. 

Na China, é proibida a manifestação litúrgica inerente ao Islã, a exemplo da leitura do alcorão em eventos ecumênicos e fúnebres, a aderência da estética dos muçulmanos - como, por exemplo, usar uma barba grande ou mesmo a utilização do véu. Além disso, esse grupo não pode ser contatado por pessoas de fora do país via telefone e sequer abandonar o hábito forçado do consumo de tabaco e bebida alcoólica. Todas essas medidas evidenciam o quão rígido é o Partido Comunista Chinês em relação ao desprezo étnico. 

As denúncias dão contas que as mulheres, frequentemente punidas pelas transgressões dos seus parceiros, são esterilizadas pelos agentes policiais chineses e, na hipótese de estarem grávidas, não podem, sob qualquer hipótese, nomear seus filhos com identidades que aludam ao Islã. 

Não pára por aí: nos ambientes supostamente ''reeducacionais'', os muçulmanos estão sujeitos à abusos físicos, incluindo lavagem cerebral e prática do chamado ''Waterboarding'' - em que os participantes simulam seus próprios afogamentos. Posteriormente, são mantidos sem alimentação adequada e têm seus sonos privados.

Embora Xinjiang represente menos de 2% da população chinesa, a região concentra 20% das prisões no país, o que prova, mais uma vez, o quanto os muçulmanos são discriminados na China. Para se ter uma ideia de tamanho racismo, as crianças locais não podem ser matriculadas em escolas particulares e devem, em vez disso, serem doutrinadas nas instituições públicas chinesas. 

Mesmo no setor privado, a China escraviza: são 27 empresas chinesas identificadas pelo Australian Strategic Policy como adeptas da mão-de-obra forçada.

O DEPOIMENTO DE ABDUWALI AYUPDe acordo com relatos do linguista e poeta em educação ocidental ao jornal 'Al Jazeera'', em reportagem datada de 31 de Janeiro de 2019, após o mesmo conhecer 15 instalações de ''reeducação'', ele foi levado por autoridades chinesas até uma cela - onde foi estuprado. 

O BIG BROTHER CHINÊS: Segundo o inglês ''The Guardian'', não há nenhum país no mundo que possa ser comparado à China quando o assunto é MONITORAMENTO, especialmente quando os números apontam que, das 10 cidades mais vigiadas por câmeras de segurança do planeta, 8 são chinesas - excede-se à regra apenas Atlanta (EUA) e Londres (INGLATERRA). 

Na capital de Xinjiang, Urumqi, por exemplo, são mais de 160 mil lentes. Através delas, os cidadãos têm seus traços físicos facilmente idenficáveis, além de estarem iminentemente nas mãos do poder policial chinês, especialmente quando as câmeras - todas com resoluções inéditas e de longo alcance - captam atitudes supostamente insultuosas ao Partido Comunista. A China, vale destacar, possui o maior número de internautas do mundo: são 854 milhões de usuários conectados. No entanto, as limitações de acesso são impressionantes. 

Através do maior programa de censura online já existente, comumente chamado ''O Grande Firewall da China'', o governo chinês bloqueia aproximadamente 10 mil domínios e endereços virtuais, incluindo o Google, o WhatsApp, o Telegram e a Netflix. No país, não é possível acessar livremente sites e redes sociais tão comuns ao Ocidente, a exemplo do Wikipédia, Youtube, Facebook, Twitter, Instagram, Tumblr, Pinterest e Reddit. Mesmo tratando-se de servidores para hospedagem de e-mail e arquivos, como o Gmail, Dropbox Google Docs, Twitch, Medium, SoundCloud, Goodreads e Flickr, não há permissão de acesso. 

A liberdade de imprensa inexiste no país mais populoso do mundo: veículos de comunicação e agências reguladores de fatos, como BBC, The New York Times, El País, Intercept, Reuters, The Guardian, HuffPost, Le Monde, The Economist e Washington Post, todos eles, sem exceção, são proibifos. 

Outra curiosidade a respeito da China: a produção, a divulgação, a transmissão e a comercialização de pornografia, seja ela de ordem impressa ou virtual, é terminantemente inadmissível pelo partido. A pena é de prisão perpétua nesses casos. 

O Linkedin, o Facetime, o Skype, o Yahoo, o Hotmail e o Bing, dentro da China, são as únicas plataformas acessíveis. Porém, caso um chinês ou dissidente queira furar o bloqueio imposto pelo esquema do Firewall, há uma opção arriscada: aderir ao VPN (ou Rede Privada Virtual), serviço capaz de mascarar o registro do computador ou aparelho celular e, por consequência, driblar a censura chinesa. 

As medidas do PCCh, não à toa, viabilizaram o acepção de redes sociais controladas integralmente pelo partido. É o caso do WeChat, semelhante ao WhatsApp - e que recentemente teve seu download proibido nos EUA como contrapartida à fiscalização chinesa. 

Ainda assim, os usuários não têm nenhuma espécie de liberdade dialógica, pois a Tencent - empresa detentora do aplicativo - acompanha em real time as conversas, além de armazená-las, mesmo as excluídas, por um período de até 6 meses. Simples menções à figuras e fatos polêmicos e que divergem dos princípios comunistas, até mesmo a criação da linguagem ''memética'' de importância humorística, são censuradas pelo WeChat. 

Conforme apurou a Universidade da Pensilvânia, por um determinado período, a tecla N foi bloqueada nos teclados, uma vez constatada sua associação à quantidade de mandatos do ditador Xi Jinping. por meio do algoritmo N > 2, constantemente utilizado pelos internautas. A provocação foi desencadeada em virtude da modificação, à bel-prazer do próprio Xi, sobre a constituição chinesa, permitindo com que ele permaneça eternamente presidente do país. 

Pela referência ao Massacre da Praça da Paz Celestial, ocorrido em 04 de Junho de 1989, os números 4, 6 e 89 são censurados nas redes. 
A organização Freedom House, sediada em Washington DC,  afirma: ''A internet chinesa é a mais controlada, mais opressiva e menos livre do mundo''. Em 2018, através do Baidu - filtro de pesquisa usual na China, houve o relato sobre a exclusão de 50 bilhões de itens, códigos e referências potencialmente prejudiciais ao Partido Comunista. 

Por meio de um grande grupo de profissionais especializados e hackers experientes, o ''Firewall'' exclui tópicos que criticam o governo, tags e palavras sensíveis à reputação da ditadura e restringem os conteúdos noticiosos alheios ao país.  Em 2013, pesquisadores das Universidades de Harvard, Stanford e da UCLA concluíram que existem mais de 2 milhões dos chamados ''cybertrolls'', controladores remunerados pelo programa de censura chinês. Juntos, eles criam quase 450 milhões de ''fake-news'' por ano como resposta ofensiva às opiniões contrárias ao PCCh. 

De acordo com o ranking internacional da entidade francesa ''REPÓRTERES SEM FRONTEIRAS'', a China ocupa a posição 177 entre 180 nações - no que se refere à liberdade de imprensa. A penúltima avaliação, vale destacar, é da amiga comunista, a Coréia da Norte, superando apenas o Turcomenistão. 

Todos os jornalistas chineses são submetidos ao ''exame de lealdade ao Partido Comunista Chinês'' e, caso não obtenham resultados satisfatórios em relação ao conhecimento sobre a doutrina, não têm suas credenciais renovadas. 

"Este exame grotesco visa claramente intimidar jornalistas e fornecerá ao regime a desculpa perfeita para banir as últimas vozes críticas na mídia", disse Cédric Alviani, chefe do escritório Repórteres Sem Fronteiras (RSF) no Leste Asiático, que denunciou o exame como “uma medida que lembra a Coreia do Norte, onde os jornalistas são obrigados a ser membros do Partido e só existem para servir à propaganda do Grande Líder”.

Enquanto a imprensa tradicional se curva aos interesses da ditadura chinesa, dezenas de profissionais da mídia estão detidos em presídios da China, simplesmente por exercerem seus ofícios. 

Observação ao público LGBT, tão suscetível ao comunismo e tão admirador do pop: Lady Gaga tem suas músicas censuradas na China. E o motivo? A artista se encontrou com o líder espiritual Dalai Lama, ''um lobo em vestes de monge'' segundo o governo chinês. 

A China é, sem dúvidas, uma realidade paralela à democracia ocidental. O axioma está claro quando o país se utiliza da coleta de dados dos seus habitantes para filtrar seus hábitos, costumes, personalidades e comportamentos, incluindo seus gastos, ganhos, preferências pessoais, opiniões políticas e companhias de foro íntimo, Em 2014, após a realização de testes-pilotos, o país lançou o SISTEMA NACIONAL DE CRÉDITO PESSOAL, por meio do qual, baseado nos fatores mencionados acima, os cidadãos são pontuados e moldados conforme um modelo teoricamente perfeito e enquadrado ao Partido Comunista. As pontuações podem, por exemplo, definir se as pessoas poderão ou não viajar pelo mundo. 

Contudo, leitores, me despeço com o tom retórico do enunciado: você ainda têm dúvidas sobre a existência do comunismo no mundo?
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