12/10/2020 às 18h26min - Atualizada em 12/10/2020 às 18h26min

Milhares saem às ruas para protestar contra o governo de esquerda na Argentina

Vinicius Mariano
Milhares de argentinos saíram nesta segunda-feira (12), em Buenos Aires, para protestar contra o governo de Alberto Fernandez e Cristina Kirchner devido às interferências no Judiciário, a política econômica e a quarentena interminável. Os manifestantes também cobraram explicações da vice-presidente Cristina Fernández de Kirchner, investigada em vários processos de corrupção.

“Viemos para que não haja mais abusos e por falta de respeito pelas instituições. E para que haja justiça, que a justiça nos represente”, afirmou uma das primeiras pessoas que compareceu à Praça da República.

No Centro da Cidade de Buenos Aires, o azul claro e o branco, cores da Argentina, predominam em bandeiras, balões e faixas. Os vendedores ambulantes que aproveitam a oportunidade também estiveram presentes. 

A maioria dos manifestantes estavam usando máscaras e cumprindo o distanciamento social, no entanto, à medida que o tempo passava e a concentração aumentava, o distanciamento tornou se mais difícil de se cumprir. Outros, para evitar aglomerações, protestaram dentro de seus carros pela Avenida 9 de Julho.

Entre os líderes políticos que aderiram aos protestos estão Fernando Iglesias e Waldo Wolff, deputados nacionais do Juntos pela Mudança, e a chefe do PRO, Patricia Bullrich, que dias atrás havia aderido à convocação. Ambos são da oposição. "Impressionante. Ficamos muito felizes por ver tantas pessoas com bandeiras argentinas, que defendem a Justiça, que querem trabalhar e defender seu ofício. Muito orgulho de todos os argentinos ”, disse a ex-Ministra da Segurança de seu veículo, acompanhada pelo dançarino e coreógrafo Maximiliano Guerra. “Faz sete meses que adoecemos não só de Covid, mas de um país fechado, o que não significa nada, porque somos o sexto país com mais infecções. Após sete meses de confinamento, a política do governo fracassou ”, garantiu.

Com uma placa com a legenda "Não à reforma judicial que garante a impunidade", uma mulher que também chegou cedo ao Centro de Buenos Aires comentou que "nas mãos da Justiça está nossa liberdade ou nossa dependência" e pediu-lhe que "aja em conformidade". No caso, Alberto Fernandez quer fazer uma reforma no judiciário argentino para indicar mais juízes à Suprema Corte, que julgará os processos de corrupção de Cristina Kirchner, vice-presidente.

Outra crítica ao Governo é a criação de um órgão para controle de conteúdo na mídia e nas redes, uma versão da lei das fake news brasileira na Argentina. “É claramente uma subjugação da Constituição Federal. Temos que manter a imprensa livre”, afirmou um manifestante.

“Tenho medo da inércia, da pobreza, da miséria, da insegurança. É terrível para onde eles estão nos levando e a vice-presidente não fala nada. Ela está preocupada com sua própria situação”, acrescentou um homem.

Tensão entre manifestantes
Diante da Quinta de Olivos, residência oficial do governo argentino, houve um momento de tensão, quando militantes peronistas, pró governo, que se encontravam no local em apoio a Alberto Fernández, se reuniram com manifestantes que protestavam contra

Policiais federais tiveram que montar uma corrente humana para separar os dois grupos. Ainda assim, os gritos e os insultos persistiram. Enquanto os manifestantes de direita, contra o governo, cantavam o Hino Nacional, os da esquerda cantavam a marcha peronista. 

A imprensa tradicional brasileira não mostrou os protestos acontecidos no país vizinho, no entanto, internautas postaram fotos e vídeos no Twitter para informar sobre o evento.

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