09/10/2020 às 14h19min - Atualizada em 09/10/2020 às 14h19min

Plástico biodegradável é a solução?

O plástico biodegradável pode ser decomposto por micróbios e convertidos em biomassa, água e dióxido de carbono (ou na ausência de oxigênio, metano, em vez de CO2).

Cristina Barroso
R7
(REPRODUÇÃO)
Das 6,3 bilhões de toneladas de plástico que jogamos fora desde o início da produção em massa do material na década de 1950, apenas 600 milhões de toneladas foram recicladas – e 4,9 bilhões de toneladas foram enviadas para aterros sanitários ou descartadas no meio ambiente.
O plástico está presente no cotidiano de tal forma, que achamos ser impossível a vida sem ele. E nos esquecemos que há 70 anos, todo tipo de grão era vendido a granel, em sacos de papel. Muitos produtos vendidos nas quitandas e feiras livres eram embrulhados em jornais.

Embora hoje a conscientização, em torno do uso excessivo de plástico e os danos causados ao meio ambiente, venham ganhando força, ainda precisamos discutir formas concretas  de reciclagem.

As sacolas plásticas descartáveis foram proibidas, mas e os sacos plásticos que acondicionam frutas e legumes, grãos, açúcar, farinha, tapioca etc...? Esses continuam a poluir o meio ambiente e acabam infestando os aterros sanitários.
Os plásticos biodegradáveis estão se tornando uma opção bem interessante para amenização do problema.

Mas será que eles são bons de verdade?

O plástico biodegradável pode ser decomposto por micróbios e convertidos em biomassa, água e dióxido de carbono (ou na ausência de oxigênio, metano, em vez de CO2).
Uma parte deles é compostável, o que significa que não apenas é decomposto por micróbios, como também pode ser transformado – juntamente com alimentos e outros resíduos orgânicos – em adubo.
No entanto, somente uma pequena parte desses plásticos é apta à compostagem doméstica; portanto, quando o rótulo diz “compostável” geralmente significa compostagem industrial. Ou seja, aquele copo de café que você comprou com o logotipo de biodegradável não vai se decompor muito rapidamente, se é que vai se decompor, na pilha de compostos orgânicos da sua casa, mas certamente vai se decompor dentro do equipamento industrial apropriado.

Há um padrão europeu para embalagens compostáveis: EN 13432. A certificação prevê que a embalagem se decomponha em condições de compostagem industrial em 12 semanas, deixando não mais de 10% do material original em fragmentos maiores que 2mm, sem prejudicar o solo por meio de metais pesados ou deteriorando sua estrutura.
A maioria dos plásticos biodegradáveis e compostáveis são bioplásticos, feitos de plantas, em vez de combustíveis fósseis. Dependendo do uso, há muitas opções para escolher.

A professora de biotecnologia Izabela Radecka, da Universidade de Wolverhampton, no Reino Unido, e seus colegas estão produzindo um tipo de bioplástico chamado polihidroxialcanoatos (PHAs). Ou melhor, estão fazendo com que micróbios produzam este material para eles.
"Quando estão sob estresse, esses micróbios produzem grânulos dentro das células, e esses grânulos são biopolímeros", explica.
"Quando você os extrai da célula, eles apresentam propriedades semelhantes às dos plásticos sintéticos, mas são totalmente biodegradáveis."

A princípio, Radecka oferecia óleo de cozinha usado aos micróbios para produzir PHAs, mas nos últimos anos começou a investigar como resíduos plásticos, como o poliestireno, podem ser transformados em um novo tipo de plástico biodegradável.
Segundo ela, é preferível usar este método, uma vez que poupa as plantas que podem ser usadas como alimento e, ao mesmo tempo, utiliza os resíduos plásticos.
Atualmente, os PHAs representam cerca de 5% dos plásticos biodegradáveis no mundo. Cerca de metade dos plásticos biodegradáveis são feitos a partir de misturas de amido. E o ácido polilático (PLA), normalmente usado em copos e tampas de copo de café, corresponde a um quarto.

Mas, embora a maioria desses bioplásticos demande compostagem industrial para ser decomposto após ser descartado, estamos longe de garantir que isso aconteça.
Dado o histórico da humanidade, faz sentido se perguntar o que acontece se eles forem parar onde não deveriam.
 
 
 
 
 
 
 
 
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »

Você votaria em Bolsonaro para Presidente em 2022?

90.7%
9.3%