08/10/2020 às 17h21min - Atualizada em 08/10/2020 às 17h21min

Argentinos ricos fogem de impostos e migram para Uruguai

Fuga de milionários e cérebros aconteceu após Fernandez anunciar que pretende taxar a população ainda mais

Vinicius Mariano
Há três meses, Catalina Jack, economista argentina de 37 anos com dois mestrados, embarcou em uma balsa rápida em Buenos Aires rumo ao Uruguai. Ela conseguiu um emprego em uma empresa de software e agora olha o mundo de uma casa que alugou perto do balneário de Punta del Este. Seu irmão e sua família haviam se estabelecido nas proximidades algumas semanas antes. Duas dúzias de amigos já mudaram ou estão mudando. “Eu preferia continuar trabalhando na Argentina”, disse. “Hoje, acho que não tem lugar para mim lá. Não tenho dúvidas de que as pessoas que saem são as que pagam mais impostos, as mais produtivas e as mais qualificadas.”

Depois que Luis Lacalle Pou foi eleito presidente do Uruguai em novembro passado, o primeiro líder que não é de esquerda em 15 anos, planos para atrair imigrantes qualificados e investimentos para energizar o país com 3,5 milhões de habitantes foram anunciados e têm dado resultado.

O que ele não sabia era quão profundamente a Covid-19 e a crise econômica afetariam a Argentina ou como o excepcional sistema de saúde pública do Uruguai colocaria o país entre as nações com melhores resultados no combate à pandemia. O número de mortos no país é de apenas dezenas.

O resultado é um fluxo de cérebros e riqueza da vizinha Argentina. Carlos Enciso, embaixador do Uruguai, disse à Rádio Montecarlo que 100 argentinos por semana têm se candidatado no consulado de Buenos Aires para residência no Uruguai.

A responsável pela autoridade tributária argentina, Mercedes Marco del Pont, disse à agência de notícias Telam que, em 2020, quase metade dos 504 argentinos que estabeleceram residência fiscal no exterior – uma tendência liderada ricos – escolheram o Uruguai.

Dados do Ministério do Interior mostram que cerca de 13 mil argentinos chegaram para ficar entre abril e setembro.

Embora as rígidas regras de combate à lavagem de dinheiro tenham tornado o Uruguai um destino menos acolhedor para o dinheiro argentino em relação ao passado, dados do banco central mostram que os depósitos de não residentes em instituições locais aumentaram US$ 528 milhões nos 12 meses desde que as eleições primárias na Argentina sinalizaram que um governo de esquerda assumiria o poder. Acredita-se que a maioria desses depósitos seja de argentinos.

As novas onda migratória é impulsionada por maiores impostos e propostas de mais aumentos, divisão política crescente, agravamento da pobreza e propagação contínua do coronavírus.
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