06/10/2020 às 14h02min - Atualizada em 06/10/2020 às 14h02min

Após jantar, Maia e Guedes pedem desculpas por atrito e defendem reformas

Vinicius Mariano
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediram desculpas mútuas nesta segunda-feira (5) pelos atritos protagonizados nas últimas semanas em um jantar convocado por parlamentares em que ambos defenderam a pacificação e a continuidade da agenda de reformas.

"Na minha última eleição [para presidência da Câmara], a única pessoa do governo que me apoiou foi o ministro Paulo Guedes. Nos dias seguintes à presidência, por divergências, por erros — e assumo os meus —, nós fomos nos afastando e, agora, na pandemia, mais ainda. Até na semana passada, deixo o meu pedido de desculpas, fui indelicado e grosseiro. Não é do meu feitio, ao contrário", declarou Maia.

"Eu nunca ofendi o presidente Rodrigo Maia. Isso não é ofensa pessoal, foi uma troca de opiniões. O presidente Rodrigo Maia falou: 'Olha, você está atrasando a reforma tributária'. E eu: 'Olha, e as privatizações aí?' Isso são trocas de opinião. Não tem ofensa. Agora, eu, caso eu tenha ofendido o presidente Rodrigo Maia ou qualquer político que eu possa ter ofendido inadvertidamente, eu peço desculpas também. Não é um problema", declarou Guedes em seguida.

Enquanto Maia pediu desculpas espontaneamente, a fala de Guedes foi motivada pela pergunta de um jornalista ao fim dos pronunciamentos – quando o presidente da Câmara já havia deixado o local.

Durante a declaração conjunta, no intervalo do jantar, Guedes e Maia defenderam uma ação conjunta de Executivo e Legislativo para o avanço das reformas estruturais – assunto que levou às discordâncias públicas.

"Do ponto de vista técnico, tudo isso tá elaborado, não tem nada novo. A renda básica, a renda cidadania, a renda Brasil, ela é inclusive bastante diferente do auxílio emergencial. O auxílio emergencial é para pessoas, é direto, é em caso de emergência. O Renda Brasil é muito mais estruturado, ele consolida 27 programas sociais", declarou Guedes.

"Fez parte da nossa campanha. Já estava pronto lá. Então essas coisas estão basicamente prontas, mas quem dá o 'timing' das reformas é sempre a política. Quando a pandemia nos atingiu, ela atrasou a nossa pauta. E criou todos esses desconfortos, desentendimentos", prosseguiu.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também participou do jantar, embora não estivesse envolvido no desgaste entre Maia e Guedes. Segundo ele, a reaproximação foi "fundamental".

"Esse gesto de reaproximação foi fundamental para que a gente possa, a partir de amanhã, virar um página nessa construção que é coletiva. Cada um assumindo sua responsabilidade, dentro do papel institucional, de forma republicana e democrática. Essa reunião de hoje marca um novo iniciar dessa relação, com franqueza, com honestidade, com divergência, que é natural da vida pública as divergências, mas sempre respeitando, dialogando, para construir os consensos, porque, se nós levantarmos os dissensos, a gente não consegue construir os consensos", declarou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Com a reaproximação de Maia e Guedes, espera-se que a agenda de reformas seja retomada no Legislativo.

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