05/10/2020 às 10h01min - Atualizada em 05/10/2020 às 10h01min

Papa diz que livre mercado e "economia do gotejamento" falharam na pandemia

Uma encíclica foi assinada por ele sobre a fraternidade humana

Luiz Custodio
vaticannews
O papa Francisco disse que a pandemia de covid-19 é a última crise a provar que as forças de mercado sozinhas e as políticas econômicas "gotejantes" falharam em produzir os benefícios sociais que seus proponentes alegam.

Em uma encíclica sobre o tema fraternidade humana, Francisco disse ainda que a propriedade privada não pode ser considerada um direito absoluto em todos os casos em que uns vivem extravagantemente e outros não têm nada.

Com o nome de Fratelli Tutti (Todos Irmãos), a encíclica assinada pelo papa em Assis no sábado (3) aborda temas como fraternidade, imigração, desigualdade entre ricos e pobres, injustiças econômicas e sociais, desequilíbrios na saúde e a crescente polarização política em muitos países.
O papa tinha como alvo a economia do gotejamento, teoria defendida por conservadores segundo a qual incentivos fiscais e outras benesses para grandes empresas e ricos acabam beneficiando o resto da sociedade por meio de investimentos e criação de empregos.



"Houve quem quisesse que acreditássemos que a liberdade de mercado era suficiente para manter tudo seguro depois da pandemia", escreveu ele. Francisco denunciou "este dogma da fé neoliberal", que recorre às "teorias mágicas de 'transbordamento' ou 'gotejamento' como a única solução para os problemas sociais". Uma boa política econômica, disse ele, "permite que empregos sejam criados e não cortados".


Seria o Papa a favor do comunismo?
 

O Papa: não ao lucro que torna o ser humano escravo

Ao receber os diretores e funcionários da Caixa de Depósitos e Empréstimos, Francisco reiterou que “o pensamento cristão não é contrário, por princípio, à perspectiva do lucro, mas se opõe ao lucro a qualquer custo, ao lucro que esquece o ser humano, que o torna escravo, que o reduz a uma coisa entre as coisas”.
 

“O pensamento cristão não é contrário, por princípio, à perspectiva do lucro, mas se opõe ao lucro a qualquer custo, ao lucro que esquece o ser humano, que o torna escravo, que o reduz a uma coisa entre as coisas, a uma variável de um processo que ele não pode de forma alguma controlar ou ao qual não pode de forma alguma se opor.”

 

A seguir, Francisco acrescentou:



A gestão de negócios sempre exige de todos uma conduta leal e clara que não ceda à corrupção. No exercício das responsabilidades é necessário saber distinguir o bem do mal. De fato, mesmo no campo da economia e das finanças, a intenção correta, a transparência e a busca de bons resultados são compatíveis e não devem ser separadas. É uma questão de identificar e percorrer com coragem linhas de ação que respeitem e promovam a pessoa humana e a sociedade.

O Papa concluiu, dizendo que uma instituição como a Caixa de Depósitos e Empréstimos “pode testemunhar concretamente uma sensibilidade solidária, favorecendo o relançamento da economia real como força motriz do desenvolvimento das pessoas, das famílias e de toda a sociedade. Desta forma também é possível acompanhar o progresso gradual de uma nação e servir ao bem comum, com o esforço de multiplicar e tornar mais acessível a todos os bens deste mundo”.


 

 
 
 

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