25/09/2020 às 19h59min - Atualizada em 25/09/2020 às 19h59min

" Operação Grassa" - Polícia Federal investiga extração ilegal de diamantes na Amazônia

O objetivo da ação é desarticular uma organização criminosa dedicada à exploração e comércio ilegal de diamantes extraídos da Terra indígena Roosevelt, em Rondônia.

Cristina Barroso
(REPRODUÇÃO)
A “Operação Grassa” foi deflagrada nesta quinta-feira (24) para cumprir 53 mandados de busca e apreensão no Paraná, Distrito Federal e em outros seis Estados.
O objetivo da ação é desarticular uma organização criminosa dedicada à exploração e comércio ilegal de diamantes extraídos da Terra indígena Roosevelt, em Rondônia.

Os indígenas Cinta Larga, falantes da língua Tupi Mondé, vivem uma situação parecida com a da grande maioria dos agricultores familiares do interior da Amazônia. Suas casas não têm sistema de esgoto, nem água encanada. As escolas e os postos de saúde são precários e o que produzem nas roças é ineficiente à sobrevivência, pois faltam maquinário, insumos, assistência técnica e crédito bancário.



Mas eles moram em cima da maior mina de diamantes do mundo, com capacidade para exploração de um milhão de quilates de pedras preciosas por ano, com receita anual estimada em US$ 200 milhões (ou R$ 760 milhões).



A exploração ilegal das pedras preciosas, que ganhou força em 1998 e chegou a reunir 5 mil garimpeiros, em 2004, mudou a vida dos índios.
O Ministério Público Federal estima que vivem cerca de 2.500 Cinta Larga nas Terras Indígenas Roosevelt, Serra Morena, Parque Aripuanã e Aripuanã, que ficam na divisa dos estados de Rondônia e Mato Grosso.

O garimpo levou às reservas danos ambientais às florestas rios e lagos, drogas, prostituição, mortes, processos na Justiça, e aos índios a fama de milionários e o estigma de assassinos e bandidos. Há 11 anos, um grupo de guerreiros Cinta Larga matou 29 garimpeiros. O massacre ocorreu devido à disputa por jazidas de diamantes. O caso, que ganhou repercussão internacional, não foi julgado ainda.

As investigações da Operação Crassa tiveram início em 2018, com a prisão em flagrante de três indivíduos em posse de diversas pedras de diamante, que haviam se deslocado de São Paulo a Rondônia para adquiri-las. Na ocasião, admitiram que os diamantes eram da Reserva Roosevelt.
 
Nas diligências, a PF identificou o esquema criminoso que conta com a participação de garimpeiros, lideranças indígenas, financiadores do garimpo, avaliadores, comerciantes e intermediadores, que estabelecem a conexão entre os fornecedores e o mercado consumidor nacional e internacional.
O termo “Crassa” remete ao estado bruto dos diamantes, tendo sido identificado no início das investigações a referência “bruto” ao lado dos contatos relacionados a garimpeiros e intermediários do comércio ilegal do mineral na agenda dos indivíduos presos em flagrante.
 
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