30/08/2020 às 17h43min - Atualizada em 30/08/2020 às 17h43min

Entrevista de Flordelis ao SBT segue um padrão de comportamento culposo

Roberto Cabrini enquadrou a deputada

Kaio Lopes
Da Redação
SBT (DIVULGAÇÃO)
O SBT exibiu na noite de sexta-feira, (28), durante edição do seu principal telejornal, o SBT Brasil, uma entrevista exclusiva da deputada federal, cantora e pastora, Flordelis dos Santos de Souza, concedida ao jornalista e apresentador Roberto Cabrini. Foram cerca de 9 minutos de reportagem, na qual Cabrini, além de narrar os fatos decorrentes das denúncias contra a acusada, colocou o dedo na ferida e a enquadrou com sua grande experiência dialógica. 

O mais curioso, no entanto, é a semelhança dessa entrevista à outras tantas tidas com personagens centrais de outras tramas da vida real, a exemplo de Nadja Trindade, Suzane Von Richthofen e casal Nardoni, respectivamente, ao próprio Cabrini, ao Gugu Libertato e ao Fantástico. O aparente cinismo de Flordelis também nos remete à Paula Thomaz durante seção de julgamento pelo assassinato da atriz Daniella Perez. Na situação da deputada, contudo, suas constantes negações não coincidem com seus olhares amedrontados e suas expressões alheias à realidade dos acontecimentos.

Flordelis, mesmo diante das lentes, afirma categoricamente: ''Eu não matei. Eu não fiz isso... (respiração funda) que estão me acusando. Eu não fiz. Não é real'', em resposta ao questionamento de Cabrini sobre ela ter planejado o assassinato ou não do seu marido e pastor, Anderson do Carmo. Chama a atenção sua voz trêmula, seu ênfase às interjeições linguísticas e seus recursos simplórios e autoconfessos de resposta sobre as indagações. 

A deputada, confortada pelo seu foro privilegiado, demonstra frieza perante aos relatos e cai em contradições fáceis que invalidam seus argumentos. Sua frequente movimentação corporal envolve desde ansiosas articulações físicas até entonações oscilantes e ansiosas. Ela mantém, na maior parte do tempo, posição de contra-ataque e não justa defesa, pensando, em instância definitiva, estar convencendo alguém sobre aquilo que sequer lhe convence. 

Roberto Cabrini finaliza a matéria questionando a pastora sobre sua fé e a crença de reencontro após a morte: ''Esse reencontro vai ser no CÉU ou no INFERNO?''. Ao que ela responde suspirando: ''No céu! Com certeza''. É perceptível, nesta última afirmação, um suposto escárnio ou deboche. 

A entrevista, como um todo, reforça um padrão comportamental comumente associado à culpa e sabotagem das narrativas. Os inquéritos são sólidos e o relatório - que contém 23 páginas - deve ser suficiente para a possível perda da imunidade parlamentar da acusada. E mais: se a intenção de Flordelis era esclarecer o crime, ela obteve êxito: se entregou.

 
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