31/07/2022 às 12h20min - Atualizada em 31/07/2022 às 12h20min

ONG: Apple, Google e outras empresas de grande tecnologia dos EUA lucrando com ouro brasileiro ilegal

Um grupo brasileiro de jornalistas investigativos publicou na segunda-feira documentos que mostram que as “quatro empresas mais valiosas do mundo” – Apple, Microsoft, Google e Amazon – compraram ouro extraído ilegalmente na região amazônica para uso em seus produtos eletrônicos.

Cristina Barroso
Breitbart
(Reprodução)
A Repórter Brasil disse que o ouro ilegal “passou pelas mãos de intermediários” antes de chegar aos processos de fabricação das quatro gigantes da tecnologia como filamentos de ouro usados ​​em smartphones e computadores.

De acordo com o relatório, um dos principais fornecedores do ouro contrabandeado foi uma refinaria italiana chamada Chimet, que está sendo investigada pelas autoridades brasileiras por comprar milhões em ouro de um comerciante chamado CHM do Brasil que supostamente obteve os metais de mineradores selvagens que operam ilegalmente no território indígena Kayapó protegido . Relatórios policiais que o Repórter Brasil afirmou ter observado incluíam fotos de satélite de piscinas de mineração e aeródromos secretos espalhados pela imensa reserva Kayapó.

Outra empresa supostamente envolvida no comércio de ouro legalmente duvidoso é uma prestigiosa empresa com sede em São Paulo chamada Marsam Refinadora, que está sob escrutínio desde o final do ano passado por obter ouro de mineradores selvagens.

A Repórter Brasil acusou que além de invadir terras indígenas – e ocasionalmente entrar em confrontos violentos com os moradores – garimpeiros ilegais estão danificando a lendária Floresta Amazônica e liberando substâncias tóxicas como mercúrio na água.
Os autores observaram que Apple, Google, Microsoft e Amazon publicaram padrões para a obtenção de matérias-primas que deveriam impedi-los de usar ouro obtido ilegalmente, e a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) deve policiar o comércio de “minérios de conflito”. ”, termo popularizado na década de 2010 devido a controversas explorações minerais em zonas de conflito como a República
Democrática do Congo (RDC).

“Um dos problemas é que, apesar dos episódios de violência provocados pelo garimpo ilegal na Amazônia, essas organizações não consideram o Brasil uma 'área de risco'”, observou o Repórter Brasil.

A reportagem acusou as quatro grandes empresas de tecnologia, e a SEC, de não se importarem com “a real origem do ouro que usam – ou os conflitos que podem estar alimentando em território brasileiro”.

Os autores também criticaram o governo brasileiro por supostamente não fazer o suficiente para desencorajar a mineração ilegal ou rastrear o movimento de metais dos mineradores para os comerciantes.
Parte da controvérsia em torno do fornecedor Chimet CHM é que ele não se registrou no banco central do Brasil como fornecedor de ouro – um passo que a empresa argumentou ser desnecessário porque compra ouro como uma “commodity” industrial e não como um “instrumento financeiro”.
O banco central brasileiro não regulamenta o ouro quando é negociado como commodity. Os críticos dessas políticas dizem que a brecha das commodities é inválida e que a lei brasileira exige que cada entidade que compre e venda ouro se registre no banco.

“A mineração ilegal aumentou no Brasil desde que o presidente de direita Jair Bolsonaro assumiu o cargo em 2019, defendendo os garimpeiros e buscando legalizar a mineração em terras indígenas”, alegou  a Reuters , que também reivindicou o acesso aos documentos descobertos pelo Repórter Brasil.

A Reuters citou uma estimativa do think tank brasileiro Escolhas de que a mineração ilegal de ouro aumentou 23% durante os primeiros dois anos de Bolsonaro no cargo, tornando questionável quase metade da produção total de ouro do Brasil.

“Uma empresa que está comprando ouro do Brasil já sabe que há um risco enorme de comprar ouro irregular – ouro de sangue da Amazônia”, acusou Larissa Rodrigues, analista do Escolhas.
Bolsonaro há muito argumenta que muito do território do Brasil está fora dos limites da mineração, tornando inacessível grande parte da riqueza mineral do país. O presidente, que é filho de garimpeiro, vê a prospecção como “elevado potencial de geração de riqueza e renda para uma população de centenas de milhares de pessoas”.

Em março, Bolsonaro propôs suspender as proibições de mineração em territórios indígenas para garantir suprimentos vitais de materiais fertilizantes como o potássio, que está em falta em todo o mundo desde a invasão da Ucrânia pela Rússia.

“Nossa segurança alimentar e agronegócio exigem medidas executivas e legislativas para que não dependamos externamente de algo que temos em abundância”, disse o presidente brasileiro.

O oponente de Bolsonaro na corrida presidencial de outubro, o ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, promete interromper toda a mineração, exploração de petróleo e agricultura comercial em terras indígenas. No entanto, Lula foi duramente criticado por não fazer o suficiente para controlar a mineração ilegal quando ocupou o cargo de 2003 a 2010. Sua ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, causou alvoroço ao renunciar frustrado em 2008.
“Embora Lula tenha adotado o discurso ambientalista, a prática é o desenvolvimento a qualquer custo”, reclamou o diretor de campanha do Greenpeace Brasil, Marcelo Furtado, após a renúncia de Silva. Por outro lado, grupos de agricultores a denunciaram como “radical” e “obstáculo ao desenvolvimento econômico” devido às políticas que ela  conseguiu  aplicar. 
A mineração selvagem não era desconhecida durante o governo Lula. Em 2007, houve uma infame corrida do ouro para um “novo Eldorado” quando trabalhadores brasileiros empobrecidos correram para uma mina ilegal nas margens do rio Juma, com o sonho de ficar rico. Mesmo antes da corrida do Juma, havia cerca de meio milhão de mineiros selvagens trabalhando sob Lula.
Representantes de Chimet e Marsam negaram irregularidades e alegaram que tomaram as medidas apropriadas para manter o ouro ilegal de suas cadeias de suprimentos. 

A Apple divulgou uma declaração geral de que remove fornecedores de minerais extraídos ilegalmente de suas cadeias de suprimentos, enquanto Amazon, Microsoft e Alphabet, controladora do Google, não fizeram comentários imediatos sobre o relatório. O Repórter Brasil observou que todas as quatro empresas assumiram compromissos públicos para evitar o uso de minérios de conflito ou lidar com projetos de mineração ambientalmente irresponsáveis.
 
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