16/08/2020 às 21h43min - Atualizada em 16/08/2020 às 21h43min

Menina de 9 anos grávida de gêmeos tem gravidez interrompida

A gravidez da menina era produto do abuso sexual do padrasto. O caso atraiu a atenção da imprensa e das autoridades religiosas locais.

Cristina Barroso
Yahoo reprodução
A mãe, da menina de 9 anos grávida de gêmeos e que teve a gravidez interrompida na semana passada, em Recife, será ouvida novamente pela polícia.
Antônio Dutra, delegado de Alagoinhas em Pernambuco, declarou que a mãe pode ser indiciada, caso seja comprovado que ela tinha conhecimento dos abusos sofridos pela filha.
O delegado encaminhou ao Fórum em Alagoinha, na manhã desta segunda, uma solicitação de prorrogação do prazo de entrega do inquérito policial.
- Precisamos de mais tempo para tomar outro depoimento da mãe. Vamos investigar a hipótese de ela ter sido negligente – diz o delegado.

A menina passa bem e foi conduzida a um abrigo e deve ficar sob proteção da Secretaria Estadual da Mulher, após receber alta do hospital.

-O aborto, segundo os princípios da Igreja católica, leva à e exclusão da comunhão.
E o arcebispo Dom José Cardoso Sobrinho disse, que o aborto é mais grave que estupro.
A gravidez da menina era produto do abuso sexual do padrasto. O caso atraiu a atenção da imprensa e das autoridades religiosas locais.

Diretor do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam) - o primeiro serviço médico a realizar abortos legais no Norte-Nordeste, que faz em média um procedimento a cada 15 dias -, em Recife, Moraes afirma que apesar da permissão em casos de estupro, de risco à vida da mãe e de anencefalia no bebê, mesmo o aborto legal ainda é difícil no Brasil.
 
Um dos principais empecilhos, diz ele, ainda é o comportamento de médicos e funcionários em relação às pacientes.
 
"Um grande problema para nós é a objeção de consciência, que é o direito do médico de se negar a realizar o aborto. Mesmo assim, o médico tem a obrigação de acolher a mulher, dar as informações a que ela tem direito e fazer o encaminhamento adequado."
 
"Mas como diretor, às vezes só fico sabendo das coisas depois que ocorrem. Aconteceu de a paciente vítima de estupro estar numa área reservada e um funcionário abrir a porta e dizer: 'você vai matar seu filho', apenas porque soube que aquele era um caso de abortamento."
 
A sociedade deveria discutir não o aborto como forma de solução do problema, e sim o encaminhamento da mulher grávida pelo Estado ao acompanhamento médico de pré-natal. Após o término da gestação, encaminhar a criança gerada através de um ato criminoso de estupro, a futura adoção, caso seja da vontade da mãe.  
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