15/08/2020 às 14h39min - Atualizada em 15/08/2020 às 14h39min

A importância das Festas Juninas Beneficentes e o impacto dos seus cancelamentos

No interior de SP, as APAES são dependentes dos eventos

Kaio Lopes
Da Redação
EIMAGEC (DIVULGAÇÃO)
Já chegamos ao mês de Agosto, o que significa, portanto, que os meses junino e julino já foram descartados do calendário. Além do frio característico da época, outra tradição do período é a presença das nossas grandes festas Juninas, tão especiais num aspecto cultural e turístico, como também essenciais num ponto de vista financeiro e filantrópico. De Norte à Sul do país, ninguém está imune ao bom e velho quentão, às quadrilhas, aos doces típicos e também ao simbolismo histórico da roda-gigante. É fato que, entre tantas atrações, nossos festões de São João dispensam comentários. 

Porém, em 2020, diante do cenário pandêmico e em virtude das medidas adotadas pelos Estados e seus respectivos municípios, não pudemos vestir aquela roupa xadrez e brincar na barraca do beijo: as festas, sem exceção, foram, senão canceladas, adiadas. Entre as últimas, está a maior do Estado de SP, a Festa Junina de Votorantim, que, somente em 2019, atraiu quase 500 mil pessoas durante seus 20 dias de duração. O importante evento, datado de 104 anos, quando a cidade ainda era um distrito de Sorocaba-SP, além de trazer, anualmente, os maiores nomes da música nacional, especialmente da cena sertaneja, é responsável pela arrecadação e posterior distribuição para a APAE (Associação de Pais & Amigos dos Excepcionais) dos valores gerados. Os números são impressionantes: na edição anterior, foram mais de R$ 2 milhões encaminhados para os programas de assistência social da cidade. Tudo graças ao conjunto de iniciativas entre a entidade organizadora, a prefeitura local e as Instituições e estabelecimentos parceiros. É somente por conta do caráter beneficente da festa que é possível manter em dia as contas e a estrutura da Associação beneficiada. Logo, se não há o evento, não se tem arrecadação. Se não se arrecada, a situação fiscal da APAE se agrava.

Para ilustrar a importância desta Associação, há quase 30 anos, ela recolhe e cuida, sem fins lucrativos, de um contingente estimado em 140 alunos, todos portadores de necessidades especiais e que dependem dos suportes oferecidos gratuitamente. Isto se considerarmos somente o município de Votorantim; a vizinha, Sorocaba, em sua unidade, dá assistência ao dobro de pessoas. Além da APAE, outras dezenas de entidades são diretamente prejudicadas pela não realização das festas locais. 

Recentemente, precisamos destacar, a Viva Entretenimento - grupo que organiza a Festa Junina de Votorantim - realizou o projeto ''Festa Junina Solidária'' e conseguiu, a partir dele, arrecadar mais de 2 toneladas de alimentos e cinco mil peças de roupas, para reter, ainda que pouco, a crise causada pela impossibilidade de realização do evento de forma física. 

A princípio, o evento foi adiado para Novembro, quando, havendo maior controle da pandemia e somado à isso a queda no número de casos e o avanço de Votorantim para a fase verde, haverá o aval para mantê-lo. De qualquer modo, as hipóteses favoráveis ou contrárias não diminuem a nobreza da Festa, porque ela, como muitas tantas no país, à um nível estadual, ajuda seres-humanos verdadeiramente carentes e imprescindivelmente necessitados.
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