14/08/2020 às 16h47min - Atualizada em 14/08/2020 às 16h47min

MP pede investigação de Luciano Ayan por possível posse de pornografia infantil

Ministério Público pede esclarecimentos de Carlos Afonso “Luciano Ayan” por “incontáveis” fotos e vídeos pornográficos que podem ser de menores de idade. Luciano Ayan é peça-chave do inquérito das fake news e da CPMI das Fake News

Vinicius Mariano
Senso Incomum
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) requisitou à Polícia Federal a instauraçao de inquérito policial para investigar materiais apreendidos na casa de Luciano Ayan, empresário ligado ao MBL preso em julho de 2020 por lavagem de dinheiro. Segundo o documento assinado pelo Promotor Marcelo Mendroni, dentre os materiais apreendidos na residência de Ayan, há DVDs com "incontáveis mídias (fotos e vídeos) pornográficas com pessoas que parecem menores de 18 anos". O material ficará, segundo o documento, sob sigilo para apuração.

Carlos Augusto de Moraes Afonso, alcunha “Luciano Ayan”, foi preso no âmbito do Procedimento Investigativo Criminal n.º 31/19-GEDEC durante deflagração da Operação Juno Moneta, que realizou buscas e apreensões em 6 endereços, incluindo a sede do MBL – Movimento Brasil Livre – e a residência de outro membro do MBL, Alessander Monaco Ferreira, por suspeita de lavagem de dinheiro.

Consta do referido requerimento que nas buscas e apreensões realizadas na residência de Carlos Afonso “Luciano Ayan”, autuadas digitalmente sob o número 1004888-44.2020.8.26.0050, posteriormente analisadas pelo GEDEC – Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos Financeiros – foram encontradas mídias, entre CDs, celulares e computadores, que, após analisadas, continham pornografia e cenas de sexo explícito nas quais poderiam ter adolescentes.

Em tese, o material afrontaria os artigos 241-A e/ou 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente, que versam sobre a pornografia infantil.







Considerando o “estoque” de mídias pornográficas, tidas por “incontáveis” nos autos, inclusive com pessoas que aparentam ter menos de 18 anos de idade, o Ministério Público considera necessário investigar se “Luciano Ayan”, que acessa as redes sociais quase diariamente, também divulgou conteúdo desta natureza.

O Ministério Público fez requisição de uma Instauração de Inquérito Policial (IP), solicitando ou sugerindo uma oitiva com o senhor Carlos Augusto de Moraes Afonso “Luciano Ayan” para se explicar ou justificar o material pornográfico encontrado em sua residência, limitando-se àquele com menores, além de análise de origem do material e se, de fato, é possível identificar se são efetivamente menores de idade.

Defendido por políticos, jornalistas e MBL
A prisão de “Luciano Ayan” se deu em operação que, originariamente, investigava possível lavagem de dinheiro. Afonso Ayan movimentou quase 1 milhão de reais apenas em 2017 sem declarar, além de ser sócio em empresas criadas com muita proximidade  e tendo a mesma atividade, o que costuma ser indício de comportamento típico de  quem pratica lavagem de dinheiro.

Nas redes sociais, “Luciano Ayan” se pintou como um “preso político”, tendo tal tese sido defendida por pessoas com livre trânsito no MBL, como Alexandre Borges e Martim Vasques da Cunha.

Tendo respaldo quase nulo em seus tweets, é conhecido pela monomania em repetir que os que discordam dele são membros de uma “seita”, o que compreenderia a maior seita da história, contendo cerca de metade do país.

Por ter um discurso obsessivo contra Bolsonaro, caiu nas graças e já fez live com influenciadores como os jornalistas Madeleine Lacsko e Fábio Pannunzio, o deputado Nereu Crispim, um ex-advogado do MBL, Tiago Pavinatto (que possui livro prefaciado por Gilmar Mendes).

Até o presidente da CPMI das Fake News, o senador Ângelo Coronel (PSD-BA) virou parceiro de “Luciano Ayan”, deixando Afonso “Ayan” na curiosa posição de ser tanto investigado pela CPMI por espalhar fake news quanto, ao mesmo tempo, também fazer live com o próprio presidente da CPMI Ângelo Coronel, o que denota parcialidade e aproximação do parlamentar com um investigado. A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) pediu afastamento de Ângelo Coronel da presidência da CPMI após a live.

Além disso, Afonso “Luciano Ayan” jacta-se de ter criado “relatórios” para a CPMI das Fake News, sem apontar para quem. O ex-ator pornográfico Alexandre Frota já criticou Olavo de Carvalho e defendeu “Luciano Ayan” na tribuna da Câmara.

Outro defensor de “Luciano Ayan” é o jornalista José Fucs, o primeiro a inventar a teoria da conspiração de supostas “brigadas digitais”, que depois foram rebatizadas como “gabinete do ódio”, sem nunca ninguém ter conseguido provar este espalhafato.

José Fucs chegou a defender que a prisão de Ayan nada afetaria o seu, digamos, “trabalho”, como é chamada a atuação monocórdica de Ayan ao inventar que todos os seus discordantes fariam parte de uma “seita”, mesmo admitindo que a peça de ficção de um suposto “gabinete do ódio” foi inventada por “Luciano Ayan”. Envergonhado, trancou o seu perfil no Twitter por um tempo logo depois.

José Fucs teve um blog em conjunto com Vera Magalhães, que também trabalhou com o mesmo Alexandre Borges. Borges é figura carimbada em todos os eventos do MBL.

Entretanto, quando foi preso, Afonso “Ayan” foi desprezado por membros do MBL, que afirmaram que ele nunca havia sido “membro” do grupo, apesar de ser sócio de um dos fundadores e até ter sido punido pelo Facebook pela troca de tráfego entre sua página e a do MBL. O deputado federal Kim Kataguiri, o deputado estadual por São Paulo Arthur do Val, o vereador por São Paulo Fernando Holiday, o ex-advogado do MBL Tiago Pavinatto e o fundador do MBL Renan Santos saíram em uníssono negando relações com Carlos Afonso “Luciano Ayan”.
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