01/08/2020 às 15h00min - Atualizada em 01/08/2020 às 15h00min

Como ''Trotsky - A revolução começa na escola'' retrata a atualidade

Produção de 2009 é uma boa dica para entendermos a realidade

Kaio Lopes
Da Redação
BEM BLOGADO (REPRODUÇÃO)
Se você já ouviu falar desse filme após uma indicação entusiasmada do seu coleguinha esquerdista, não se atenha o fanatismo dele, porque, em fato, é provável que o rapaz não tenha sabido interpretar o criticismo da produção. Pudera, né? O que esperar de um ''rebelde sem causa'' quando ele encontra no cinema a transmissão das suas ilusórias noções de mundo? De duas, uma: ou o cara cai na real e supera o socialismo; ou pior, se entrega de corpo e alma para ele.

Dada a introdução, falemos do contexto em si: em 2009, ainda sob uma época sem essa polarização política acerca do universo e até seus elementos, o diretor Jacob Tierney colocou em folha a sinopse de ''Trotsky - A revolução começa na escola'' e a produtora, Portman Entertainment Group, prontamente se interessou. O cenário é Montreal, no Canadá, onde o estudante Leon Bronstein, integrante de uma família burguesa e tradicional, além de filho de um empresário, acredita ser, em um estado absoluto de heresia, a reencarnação do líder da Revolução Russa, Leon Trotsky. Nesse aspecto, devemos destacar aqui a atuação do protagonista, Jay Baruchel, intérprete exímio de um lunático esquerdista.

Acontece que em uma das suas loucuras, Leon resolve organizar um reboliço na fábrica do seu pai, na tentativa de despertar um suposto ''espírito revolucionário'' entre os ditos ''oprimidos'' pela lógica capitalista. Na contrapartida das suas ações, seu pai decide encaminhá-lo para uma escola pública, intuindo, com isso, trazer um pouco de realismo para a mentalidade do garoto. 

É aí que mora o epicentro da premissa: Leon, incumbido por sei lá o quê ou quem quer que seja, percebe estar num ambiente propício para dar continuidade ao seu projeto de desalienação. Enxerga uma realidade paralela entre os estudantes, na qual vê a Instituição de ensino como opressora e os alunos - subjacentes ao sistema - meros oprimidos. A partir disso, resolve se rebelar contra a ordem estabelecida e, em conluio aos alunos mais problemáticos, cabula as aulas em plena vigência do período curricular. Sem lenço e sem documento, Leon causa um prejuízo de natureza física e estrutural à escola. 

No final, porém, o pseudo-Trotsky - mais falso que a figura inspiracionista - tenta, em vão, discursar pela liberdade ironicamente ''coletiva'' e em defesa da revolução contra os detentores do poder e do dinheiro. No seu horizonte, mais precisamente no gramado externo às salas de aula, percebe haver indiferença aos seus ideais, enfim, caindo-lhe a ficha sobre o quanto aquilo era importante no seu âmbito individual e para seu foro íntimo, mas sabido do quão essencial é o comportamento do indivíduo enquanto tal e sua deliberação para seu próprio princípio. 

Leon, naquele exato momento, entende a impossibilidade do socialismo e o periogo que dá residência às suas teorias. Ele quis mudar o mundo. Sem sequer perguntar ao seu espelho se deveria ele ser o responsável por isso.

A produção canadense serve como arroz e feijão, ao passo em que dá ao telespectador um afã pela necessidade básica da fome intelectual, mas pode ser consumida em forma de sobremesa, pois a subversão cômica a que se propõe diverte os despretensiosos e acríticos, em doces colheradas de metafísica.

 
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