19/01/2022 às 11h13min - Atualizada em 19/01/2022 às 11h13min

Setor aéreo dos EUA preocupado com os riscos, pede adiamento do 5G próximo a aeroportos

Companhias aéreas e oficiais da aviação nos Estados Unidos estão alertando que a retomada do lançamento do 5G da AT&T e da Verizon em janeiro pode levar a atrasos generalizados de voos no país.

Cristina Barroso
(Reprodução)
Companhias aéreas alertam para a possibilidade de atrasos nos voos depois que AT&T e Verizon Communications rejeitaram um pedido do governo dos EUA para adiar o novo serviço para redes móveis com padrão 5G que, segundo o setor aéreo, coloca a segurança em risco porque pode interferir com os aparelhos eletrônicos das aeronaves.

As duas gigantes de telecomunicação afirmaram neste domingo (2) que a solicitação do secretário de Transportes, Pete Buttigieg, e do gestor da Agência Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês), Steve Dickson, seria “em detrimento” de milhões de usuários do serviço de telefonia móvel. As empresas afirmaram que podem oferecer uma pausa de seis meses perto de alguns aeroportos.

A banda C 5G – que compreende o espectro de 3,8 a 4,3 GHz – é vista como uma ameaça capaz de interferir em altímetros e outros equipamentos de aviões e helicópteros. Ao mesmo tempo, a indústria de telecomunicações dos EUA afirma que essa alegação não tem fundamento.

São os altímetros que rastreiam a altitude das aeronaves ao rebater as ondas de rádio do solo. Se houver interferência nesse processo, os aviões e outros veículos aéreos ficam impedidos de pousar em situações de pouca visibilidade, o que causaria atrasos, desvios e até mesmo cancelamentos de voos.
Logo, a indústria da aviação está muito preocupada sobre como a interferência da banda C 5G poderia ameaçar seus negócios. A perspectiva de interrupções nos voos surge em um momento em que as companhias aéreas lutam para se recuperar da pandemia do coronavírus, que gerou bilhões de dólares em perdas no ano passado. As transportadoras também têm lidado com a falta de pessoal e milhares de episódios indisciplinados de passageiros este ano.

“Sem as mitigações adequadas, a implantação do 5G em torno de aeroportos pode atrapalhar até 345.000 voos de passageiros — impactando 32 milhões de viajantes — além de 5.400 voos de carga por ano com atrasos, desvios ou cancelamentos”, afirmou a Airlines for America em comunicado.

Os novos sinais 5G usariam ondas de rádio disponibilizadas recentemente a operadoras de telecomunicação. As frequências estão próximas àquelas usadas por radares altímetros com sensores de altitude.

Companhias aéreas e fabricantes de aeronaves afirmam que isso cria chance de interferência e pode colocar em risco a segurança de alguns pousos.

A indústria de telecomunicação argumenta que os níveis de energia são baixos o suficiente para impedir interferências e que a distância entre as frequências basta para garantir a segurança. As operadoras caracterizaram o lançamento do 5G como prioridade, citando a corrida com a China para oferecer banda larga móvel de alta velocidade e a demanda crescente por serviços móveis em meio à pandemia de Covid-19.

Há muito em jogo para ambos os setores. A indústria de telecomunicação desembolsou mais de US$ 80 bilhões em um leilão para ter acesso a essas frequências. AT&T e Verizon dependem dessas frequências para concorrer com a T-Mobile US e atualizar suas redes com tecnologia de última geração.

Em uma carta na sexta-feira (31 de dezembro), Buttigieg e Dickson solicitaram às operadoras de telecomunicação um adiamento de até duas semanas. Eles temem uma possível “interrupção generalizada e inaceitável” no tráfego aéreo, à medida que os aviões evitam aeroportos inundados de sinais 5G que podem afetar os aparelhos eletrônicos usados durante os pousos.

As operadoras responderam  com uma carta assinada pelos CEOs de cada companhia — Hans Vestberg da Verizon e John Stankey da AT&T.

“Sua proposta pede que concordemos em transferir a supervisão do investimento multibilionário das nossas empresas em 50 áreas metropolitanas não identificadas, que representam a maior parte da população dos EUA, à FAA por um número indeterminado de meses ou anos”, escreveram Vestberg e Stankey. “Pior ainda, a proposta é direcionada a apenas duas empresas”.

Segundo os executivos, concordar com a proposta seria “uma abdicação irresponsável do controle operacional necessário para implantar redes de comunicação de primeira classe e competitivas globalmente”.

AT&T e Verizon já haviam concordado em reduzir a potência dos sinais 5G e com um adiamento de 30 dias, dado que o serviço estava programado para estrear em dezembro.
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