27/07/2020 às 13h03min - Atualizada em 27/07/2020 às 13h03min

Polícia Federal faz operação na casa de governador petista

Primeira-dama também é investigada

Kaio Lopes
R7
Wellington Dias, governador do Piauí (REPRODUÇÃO)
A Polícia Federal, na manhã de hoje, (27), foi até a casa do governador do Piauí, Wellington Dias (PT), e também esteve no gabinete da primeira-dama do estado e deputada federal, Rejane Ribeiro (PT) em Brasília, deflagrando a operação Topique - cuja investigação é baseada num suposto esquema de desvios de recursos na ordem orçamentária de R$ 50 milhões, através da SEDUC (Secretaria da Educação) e por meio de superfaturamentos em contratos de transporte escolar. As denúncias ocorrem em parceria com a CGU (Controladoria-Geral da União) e MPF (Ministério Público Federal). A expedição foi da Justiça Federal do estado. Há buscas e apreensões ordenadas para 12 investigados. 

Em entrevista concedida ao Portal R7 e reportada pela jornalista política, Christina Lemos, o governador afirmou ter sido ''desnecessária'' a ação policial e que trata-se de ''mais um espetáculo em nome de investigação''. Sobre a operação propriamente dita, Wellington acredita que o Estado foi vítima, não o agente fraudulento. A SEDUC, via nota oficial, reiterou estar ''colaborando plenamente com a investigação em curso da PF'' e salientou que se coloca à disposição dos órgãos competentes para o esclarecimento de quaisquer questionamentos, intuindo, contudo, o funcionamento correto e transparente da administração pública.


De acordo com a PF, os atos de agora dão continuidade às operações Topique e Satélites, respectivamente ocorridas em Agosto de 2018 e Setembro do ano passado. Na oportunidade, foram investigados crimes de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e crimes de licitação, todas diretamente ligadas à pastas da Educação.

Os indícios dão conta que entre os anos de 2015 e 2016, agentes públicos da esfera administrativa da SEDUC, associados aos empresários do setor de locação de veículos, desviaram, no mínimo, R$ 50 milhões de recursos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) e do PNATE (Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar).

De acordo com a Polícia Federal, ainda que tenham havido duas fases da operação, o governo piauiense admite, até então, contratos em atividade com as mesmas empresas envolvidas no crime, avaliados em R$ 96,5 milhões e acordados entre este ano e o passado. Os desvios dos recursos públicos foram analisados e auditados pela CGU: houve obtenção dos valores a partir de pagamentos superfaturados em contratos de transporte escolar. Houve a formação de um consórcio criminoso e organizado entre as empresas particopantes, por meio do qual houveram falsas concorrências licitatórias e com leniência dos servidos estaduais. 

Estas empresas, por suas vezes, obtêm lucros datados desde 2008, em vários municípios do Piauí, através de falsos processos de licitação e subcontratações de serviços terceirizados, ora parciais, outrora integrais. Há, portanto, um padrão alicerçado no âmbito público e com vazão estimulada por portarias do Governo, envolvendo, inclusive, executivos locais de cidades interioranas do Estado. 

A operação eclodida hoje propõe o cumprimento judicial para o aprofundamento de informações inerentes aos processos, bem como a análise sobre os recebimentos de bens e valores, sejam eles diretos ou indiretos, tidos por agentes públicos do estado nordestino.

(Se de fato for, nas palavras do petista, ''mais um espetáculo em nome de investigação'', já conhecemos o antagonista da história).
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