20/07/2020 às 15h34min - Atualizada em 20/07/2020 às 15h34min

AlmaViva é acusada de assédios morais e remunerações incorretas

Em uma das sedes, em Itu, há muita indignação

Kaio Lopes
DO AUTOR
Sede da AlmaViva (REPRODUÇÃO)
Quem já trabalhou em um ambiente de call center, entende muito bem o quão estressante o cotidiano pode ser, especialmente quando não há observância pela empresa de regras básicas e conformidades garantidas por normas da categoria e consolidações trabalhistas. É exatamente o que tem ocorrido em uma das sedes da AlmaViva do Brasil, empresa do ramo, localizada em Itu-SP. Desde a sucessão trabalhista entre a empresa anterior, Fidelity Information Services (popularmente conhecida como FIS), e a atual, firmada no final de 2019 e efetivada na primeira quinzena de janeiro deste ano, as reclamações são constantes e atingem vários setores da maior empregadora italiana em solo brasileiro. 

Tamanha insatisfação resultou na criação de um grupo no Facebook, cujo nome representa o cenário atual: ''AlmaMorta S.O.S Operadores'', fazendo alusão à negligência da empresa. Diante da repercussão negativa, a SINTETEL, sindicato responsável pelos trabalhadores, acionou a justiça no início do mês. No despacho da sentença, ficou o comprometimento de haver, não só em Itu, mas em todas sedes, uma reunião para esclarecer os funcionários sobre as denúncias e sanar as dúvidas a respeito das drásticas mudanças ocorridas desde 15/01, data da mudança efetiva.

As denúncias são várias: pressões excessivas sobre os operadores; cobranças de metas inatingíveis em tempos inadequados; pagamentos incompletos de horas-extras, tudo sob o argumento da empresa ''trabalhar diferente da outra''. A NR17, norma regulamentadora do ofício do operador de telemarketing/atendimento é contrária aos acontecimentos. A inobservância das regras impostas implica em descumprimentos básicos para a realização da profissão. 

A maior polêmica, contudo, observada pela maioria dos mais de 3 mil funcionários em Itu, é a respeito do pagamento das horas-extras realizadas em feriados nacionais. A CLT, no que dispõe os artigos da remuneração tipificada como EXTRA, tem definições básicas sobre o tema. Muitos dos funcionários relatam ter recebido valores correspondentes à um dia normal de trabalho ou, mesmo, inferiores aos devidos. A soma da hora-extra 100% é simples: um operador de atendimento, por Lei, tem uma jornada máxima semanal de 36 horas. No mês, portanto, considerando as cinco semanas, são 180 horas. O salário bruto mensal deve ser dividido por 180. O resultado é a hora-trabalho. Na hipótese citada, dobra-se o valor. Eis um exemplo:

SALÁRIO: R$  1.200,00 - dividido por 180 (horas mensais trabalhadas) = R$ 6.66

R$ 6.66 (hora trabalhada) x 2 (na extra 100%) = R$ 13.32

O dia 100% do operador que trabalha 6h deverá ser a multiplicação de 13.32 x 6 = R$ 79.92. Como a empresa também tem um horário diferenciado, em que há os trabalhadores com jornada dentro das 36h semanais (7 horas de segunda à sexta), o valor é ligeiramente superior: R$ 13.32 x 7 = R$ 93.24. 

As alegações são de que a AlmaViva está pagando, em ambos os casos, algo entre R$ 40 e R$ 60 - sem que hajam atrasos e descontos.

Continuarei acompanhando as reclamações. A princípio, reporto os fatos baseado em fontes pessoais e aliado ao exercício jornalístico. 
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