20/07/2020 às 12h21min - Atualizada em 20/07/2020 às 12h21min

Documentário do Brasil Paralelo faz jus ao nome

Quase 900 mil pessoas já assistiram

Kaio Lopes
DO AUTOR
CARTAZ (Direção de Arte e Designer - EVELYN NONATO)
O grupo Brasil Paralelo, formado por profissionais independentes e alheios à mídia tradicional, merece o nosso destaque enquanto colobaracionistas exímios da imprensa alternativa. Costumeiramente, através do seu canal oficial no Youtube (que atinge 1 milhão e 290 mil pessoas), e também, não menos importante, via seus planos de assinatura com valores promocionais e populares, são lançados documentários especiais sobre fatos, feitos e figuras históricas. Não foi diferente agora: através de ''7 denúncias - AS CONSEQUÊNCIAS DO CASO COVID-19'', a politização da pandemia foi posta em pauta.

BEM-COMUM X BEM INDIVIDUAL

Dando início ao contexto, para fins relacionais, o narrador,Filipe Valerim, um dos fundadores e líderes da Brasil, explica como a sobreposição de um bem supostamente comum aos direitos e tomada de decisões individuais, quando tidos em demasia, pode levar aos conflitos entre poderes e a submissão do povo aos seus representantes, eleitos direta ou indiretamente; para ilustrar a ideia, é demonstrado como figuras abjetas, a exemplos de Hitler, Stalin e Mao Tse-Tung, obtêm o aval do Estado e das suas extensões para controlar as sociedades vigentes e impor sanções sobre elas e os indivíduos enquanto tais.

A AUTORIDADE CIENTÍFICA DO GOVERNO

Dando continuidade ao tema, agora é a vez de entendermos de que modo a classe política, munida de armas ''constitucionais'' e ferramentas de controle estatal, afirma ser ''CIÊNCIA'' aquilo nem concebido por si própria. Fazem do método científico um consenso adequado às suas preferências e propagado por seus respectivos usurpadores. É quando convencem, além dos seus egos, os pensamentos da massa e intensificam suas decisões de caráter imperativo. Assim compreendido, restringem o cientificismo ao estabelecimento da certeza e não mais àquilo sido historicamente: a admissão da dúvida.

AS CONSEQUÊNCIAS DAS DECISÕES

Na terceira denúncia, a partir da menção honrosa ao economista, vencedor do Prêmio Nobel em 1974, Friedrich Hayek, utilizando-se de trechos de uma das suas entrevistas, o documentário expõe como não há exatidão matemática na economia, ao passo em que ela independe exclusivamente dos fatores sistemáticos, mas, a contrapartida, depende dos comportamentos humanos e das capacidades e experiências dos seres-humanos e às suas possibilidades de enfrentamentos diante de crises, esta última, vale destacar, retirada pela ''autoridade científica'' tratada no tópico anterior. 

OPORTUNISMO POLÍTICO

Para elucidar a politização realizada no cenário pandêmico, este tópico traz uma reflexão sobre como os governos estaduais e os executivos municipais têm sido, de forma flagrante, tirânicos e aproveitadores, a partir de interpretações errôneas e deturpações absurdas  por meio dos seus decretos, além da facilidade raramente encontrada para fazer de superfaturamentos, contratos sem exigências licitatórias e uso de forças policiais aliadas processos naturais para manutenção da crise sugerida. Em suma, quando o nosso dinheiro está na mão do Estado, sendo usado para seus fins e não os nossos, não há preocupação sobre o que se compra e quanto se gasta.

CONTROLE DA VIDA PRIVADA

Na quinta abordagem, é tratada a questão da liberdade e como ela relaciona-se diretamente com nossos direitos pétreos, garantidos por incisos constitucionais. A partir daí, são tipificadas as maneiras pelas quais o Estado está sustando tais garantias, ignorando as implicações de não tê-las como base e mitigando o quão sagrado e íntimo é o que comumente entendemos como privação. Quando se obriga um agente dotado de consciência própria a ficar em casa, não sentar-se em praça pública ou, mesmo, retira-se o direito dele manifestar sua fé em culto religioso e eventos ecumênicos, já não há limites que definam suas necessidades básicas: retira-se a vontade de externar suas angústias e as toma de assalto. Por fim, dar-se-á ao coletivismo vazão arriscada e nunca antes tida como agora se tem, fará dele maior que a unidade representada, tão unicamente, por cada um de nós.

CONTROLE DE OPINIÃO

À quem interessa fazer da pandemia um fator que enseja a indispensabilidade da imprensa e o fortalecimento do seu poder? Chegamos ao penúltimo tópico do filme e que procurará responder isso. Primeiramente, é demonstrado como o ativismo midiático, especialmente aquele exercido pelos grupos que detêm os grandes veículos de comunicação - impressos, virtuais ou televisivos - cumpre papel de informante de sua própria conveniência; monopólios como o da Rede Globo e seus conglomerados, são materializados há décadas e refletem, a bel-prazer, pseudas noções sociais e impressões superficiais do apelo comum, representando novos valores morais e descontruindo o historicismo e a importância de princípios tradicionais. Quando enxergam em seus radares a aproximação e, inclusive, a ultrapassagem das mídias alternativas, somando-se à isso o corte do Governo Federal sobre suas verbas publicitárias, essas oligarquias distorcem os acontecimentos, reportam somente o que corrobora suas narrativas e impõem ataques ao estado democrático e ao exercício do livre pensamento.

O PODER DAS INSTITUIÇÕES SUPRANACIONAIS

Neste sétimo e último tópico, entendemos um pouco sobre o quanto a globalização e o avanço das tecnologias e dos meios de obtê-la, tiveram acréscimos ideológicos através de órgãos poderosos e indiretos, provando, por a + b, serem a OMS e a ONU, dadas as devidas proporções, ferramentes que prescindem da imparcialidade que delas se cobram. Quando elas já não dão representatividade aos seus propósitos iniciais e discriminam nações signatárias, preterindo a maioria e favorecendo ditaduras, enfatizando serem inequívocos seus atos, já não consideramos a prosperidade ser a causa delas, mas de havê-las, em países desenvolvidos, apesar delas. Por fim, a excepcionalidade do documentário explicita quais são exatamente as justificativas para tanto esforço fundamentalista e tamanha desfaçatez moral: as causas são chinesas, as conseguintes são suas pretensões políticas e as expectativas, à longo prazo, não menos importantes, são as assimilações dos seus regimes e daqueles aliados.

OBSapós duras críticas justamente pelo esclarecimento dos ilícitos acima, a plataforma HotMart, responsável pelo sistema de hospedagem e assinatura de planos, entre os quais incluía-se o Brasil Paralelo, suspendeu os serviços prestados ao grupo, servindo ela, em instância definitiva, como constatação de tudo aquilo provocado pelo excelente resultado da produção.

Destaques aqui para a trilha sonora por Filipe Valerim e Renan Amadeo e a identidade visual por Evelyn Nonato.
Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »