16/07/2020 às 13h39min - Atualizada em 16/07/2020 às 13h39min

Rede Globo e a pior crise histórica

Sem futebol, credibilidade e mamata, emissora agoniza

Kaio Lopes
Da Redação
EXCLAMAÇÃO POPULAR SEM ATRIBUIÇÃO AUTORAL E TOMADA POR MOVIMENTOS CONTRA A GLOBO.
É fato que a Rede Globo ainda é líder isolada de audiência no país. Fator este que decorre mais por demérito das concorrentes do que por seu próprio mérito. Mais factual ainda é a crise atual da emissora. Historicamente, o poderio da Família Marinho, não só no âmbito televisivo, mas, inclusive, através dos jornais e revistas que compõem o seu grupo, na maioria do tempo, foi inquestionável; fazia-se exercê-lo via monopólio das transmissões esportivas, sonegação de impostos, censura de veiculação dos conteúdos que a retratava (um caso famoso é o do documentário ''Muito além do Cidadão Kane''), manipulação de narrativas jornalísticas e influência social por meio das suas produções dramatúrgicas em horário nobre. No entanto, com o advento e o avanço da internet nas principais praças públicas do país, tidas como fundamentais para o canal, a exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro, mesmo os telespectadores mais consolidados, senão abandonaram, já não se importam tanto assim por seus conteúdos, seja porque estão cada vez mais superficiais, demagogos e produtivamente fracos ou, mesmo, por serem demasiadamente controversos. 

É evidente, porém, e até justo mencionarmos, que os serviços de streaming, o uso quase unânime dos smartphones e suas tecnologias, as opções variadas de mídias alternativas, tudo isso, somado ao desinteresse propriamente dito pela Globo, é responsável por sua queda vertiginosa. Dou-lhes um exemplo: em 2012, precisamente em 04/07 daquele ano, no horário compreendido entre 18:00 e 00:00 (com a principal linha de shows de qualquer emissora), o canal registrou 35.2 pontos de audiência, tendo sido, na noite da quarta, assistida por cerca de 2 milhões e 100 mil pessoas somente na Grande SP - região de maior valor publicitário para a televisão aberta; passados oito anos, a título de comparação, os números consolidados do IBOPE, baseados na preferência do telespectador - e referente à esta quarta-feira, (08) - mostram pífios 25.4 pontos na mesma faixa horária. 

Desde a eleição de Jair Bolsonaro, a emissora carioca tem tido, como consequência de sê-la parcial e irresponsável em seus editoriais, uma perda significativa na participação sobre as verbas publicitárias advindas do Governo Federal. Até 2018, ainda sob vigência de um governo aliado, a Rede Globo recebia valores próximos ao seu share (porcentagem participativa na audiência da TV), obtendo, portanto, 39,1% dos recursos, contra 31,1% da TV Record e 29,6% do SBT; entretanto, neste ano, nas mãos do capitão, inverteu-se a ordem comum: a Record mantém a majoritária parcela com 42,6%, o SBT obtém 41% do montante, e a ''vênus platinada'' amarga, por ineditismo, 16,3%. Os dados são do TCU. 

Ter de lidar com tanta drasticidade e afetação em sua estrutura também traz consequências enormes para o casting do canal. A Globo sempre vangloriou-se por manter grandes equipes, em vários setores, especialmente o dramaturgo e jornalístico, com contratos fixos e milionários. No entanto, o que era visto como ''hollywoodiano'', tamanha segurança financeira da empresa, tornou-se não menos que um padrão Rede TV, no qual agora as contratações são por obra e as estrelas já não têm cadeiras brilhantes e cativas, a começar pelo renomado autor Aguinaldo Silva (Senhora do Destino), e mais recentemente, não menos importante, Renato Aragão (Turma do Didi, Os Trapalhões, Criança Esperança). 

Havia um consenso entre os chamados ''conspiracionistas'' de que 'o povo não era bobo' e, por isso, 'abaixo a Rede Globo' seria um lema. Pois é. Não foi necessário nada além de um Estado menor e um governo conservador para a ABC brasileira cair por terra. 
Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »

Você votaria em Bolsonaro para Presidente em 2022?

90.7%
9.3%