02/06/2021 às 20h02min - Atualizada em 02/06/2021 às 20h02min

URGENTE: Mais de 500 mil pessoas sem água potável no Congo após erupção de vulcão

A maioria dos deslocados estão sendo abrigados por famílias de acolhimento, enquanto outros permanecem em igrejas e escolas superlotadas.

Lucas Silva
noticiasaominuto.com
(REPRODUÇÃO)

Mais de 500.000 pessoas ficaram sem água potável em Goma, nordeste da República Democrática do Congo (RDCongo), devido a danos em infraestruturas na sequência da erupção do vulcão Nyiragongo, em maio, anunciou hoje os Médicos Sem Fronteiras (MSF).

"Há uma necessidade urgente de fornecer água potável segura à população, porque a cólera é endémica na área e representa uma grande ameaça para todas as pessoas que vivem aqui", afirmou a coordenadora da MSF na RDCongo, Magali Roudaut, numa declaração.

"Passaram 10 dias desde a erupção do vulcão e as necessidades urgentes continuam por satisfazer", acrescentou a responsável, que assinalou que "é necessário construir latrinas e abrigos e distribuir cobertores e bidões de água".

A coordenadora apelou também para um "apoio urgente" de outras organizações de ajuda humanitária.

Também o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) afirmou hoje que cerca de 350.000 pessoas nas proximidades de Goma necessitam de assistência humanitária urgente.

A maioria dos deslocados estão sendo abrigados por famílias de acolhimento, enquanto outros permanecem em igrejas e escolas sobrelotadas.

Estima-se que cerca de 450.000 pessoas tenham fugido de Goma em direção à vizinha cidade de Sake, à província vizinha de Kivu do Sul ou atravessado a fronteira com o Ruanda.

A cidade de Goma sofreu mais de mil terremotos e tremores de terra depois da erupção vulcânica, em 22 de maio, do vulcão Nyiragongo, que provocou a morte de pelo menos 32 pessoas e danos materiais.

Entre os danos materiais, edifícios e infraestruturas de saúde ou de abastecimento de água ou eletricidade, colapsaram ou ficaram inutilizáveis.

A situação acalmou no dia 24, mas três dias depois as autoridades ordenaram a evacuação de 10 dos 18 bairros que compõem a cidade de Goma devido a receio de uma nova erupção, à persistência de movimentos sísmicos e à presença de magma no subsolo em áreas da cidade e sob o lago Kivu.

Em 29 de maio, o Presidente da RDCongo, Félix Tshisekedi, aconselhou à população a não regressar a Goma até que os cientistas garantam que não há perigo devido à presença de magma sob a cidade e sob o lago Kivu.

Localizada na província de Kivu Norte, que também faz fronteira com o Uganda, a região de Goma é uma zona de intensa atividade vulcânica localizada no vale do Rift, com seis vulcões, incluindo os vizinhos Nyiragongo e Nyamuragira, que se elevam a 3.470 e 3.058 metros, respetivamente.

A anterior erupção do Nyiragongo, em 2002, levou milhares a abandonarem as suas casas e provocou centenas de mortos.

Goma alberga um grande contingente de soldados da paz e de muitos membros da missão das Nações Unidas na RDCongo, sendo também base de muitas organizações não-governamentais e outras organizações internacionais.


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