01/06/2021 às 16h10min - Atualizada em 01/06/2021 às 16h10min

França proíbe o uso de linguagem neutra de gênero nas escolas: ‘é um perigo para nosso país’

O Ministro da Educação disse que seria destrutivo para a língua francesa e impediria as pessoas de aprendê-la.

Lucas Silva
Terça livre

O ministro da Educação da França, Jean-Michel Blanquer, na última quinta-feira (13), decidiu proibir no país o uso de linguagens “neutras em termos de gênero” ou “inclusivas” nas escolas, dizendo que isso seria destrutivo para a língua francesa e impediria as pessoas de aprendê-la.

“A escrita dita ‘inclusiva’ deve ser evitada, que usa o ponto médio para revelar simultaneamente as formas feminina e masculina de uma palavra usada no masculino quando é usada em um sentido”, afirma o decreto, que foi enviado às escolas em toda a França este mês.

“Além disso, essa escrita, que resulta na fragmentação de palavras e acordos, constitui um obstáculo para a leitura e compreensão da palavra escrita. A impossibilidade de transcrever verbalmente textos com esse tipo de escrita dificulta a leitura em voz alta e também a pronúncia e, consequentemente, o aprendizado, principalmente para os mais jovens”, acrescentou o Ministério.

Alguns grupos de esquerda, políticos e sindicatos de professores tentaram mudar certas palavras, em uma tentativa de tornar a linguagem mais feminina. Ao fazer isso, eles afirmam que algumas palavras francesas tradicionais são muito masculinas e precisam de feminização.

A vice-ministra da educação, Nathalie Elimas, no entanto, alertou que a escrita “neutra em termos de gênero” e “inclusiva” em francês é “um perigo para o nosso país” e “soará a sentença de morte para o uso do francês no mundo”, relatou a Associated Press.

“Desloca as palavras, divide-as em duas”, disse a vice-ministra sobre os esforços para mudar o idioma. Elimas apontou ainda que a mudança não tornaria o idioma mais popular e, em vez disso, levaria as pessoas a aprender inglês. “Com a disseminação da escrita inclusiva, a língua inglesa – já quase hegemônica em todo o mundo – certamente, e talvez para sempre, derrotaria a língua francesa”, acrescentou.

A Académie Française, instituição de quase 400 anos que guarda a língua francesa, também recuou na tentativa de fazer a língua despertar, dizendo que é “prejudicial para a prática e compreensão do [francês]”.

No início deste ano, o presidente da França, Emanuel Macron, alertou que “teorias de ciências sociais de esquerda totalmente importadas dos Estados Unidos”, referindo-se à “cultura do cancelamento” e a ideias de esquerda sobre raça e gênero, alegando que são uma ameaça para a sociedade francesa.

“Deixamos o debate intelectual para outros, para aqueles de fora da República, ideologizando-o, às vezes cedendo a outras tradições acadêmicas”, afirmou Macron em fevereiro deste ano.

Os principais políticos, jornalistas e intelectuais franceses, segundo o jornal New York Times, também alertaram nos últimos meses que a cultura de esquerda dos Estados Unidos era uma ameaça para a França.


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