25/03/2021 às 18h17min - Atualizada em 25/03/2021 às 18h17min

Para "salvar vidas" senado pede a saída do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Ernesto havia sido convidado para participar de sessão temática do Senado para explicar os esforços da pasta que comanda para obter vacinas contra o novo coronavírus

Cristina Barroso
Folha de Pernambuco
(REPRODUÇÃO)

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, enfrentou um ambiente hostil durante sua participação em sessão do Senado na tarde desta quarta-feira (24), com muitos senadores questionando a sua capacidade e pedindo a sua demissão para "salvar vidas".

Ernesto havia sido convidado para participar de sessão temática do Senado para explicar os esforços da pasta que comanda para obter vacinas contra o novo coronavírus.
O chanceler já havia sido alvo de duras cobranças do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), durante reunião nesta manhã no Palácio do Alvorada. Lira deixou claro que seria preciso melhorar a relação com países produtores de vacinas e de insumos.
A reunião da manhã, chamada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), contou com a participação de ministros, dos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), o presidente do STF, Luiz Fux, governadores e chefes de outras instituições.

Lira e Pacheco já vinham manifestando descontentamento com o chanceler brasileiro, aumentando a pressão pela sua demissão. Mais tarde, em sessão na Câmara, Lira voltou a criticar publicamente e abertamente o chanceler.
Nesta tarde, no Senado, a cobrança partiu inicialmente do próprio Pacheco, que afirmou que o fornecimento de vacinas está "aquém do esperado".

Depois houve uma sequência de falas de diversos senadores, questionando a capacidade de Ernesto Araújo e pedindo a sua demissão. "Pede para sair e durma com a consciência tranquila que o senhor vai ajudar a salvar vidas", afirmou a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP).

Companheiro de bancada da senadora, o tucano Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou que o Brasil se tornou um pária internacional e que a má gestão no Ministério das Relações Exteriores está provocando resultados fatais para o Brasil.

"O senhor não tem mais condições de ficar no Ministério das Relações Exteriores. E não é para criar uma crise [a sua saída], é para solucionar", afirmou o tucano. O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) também afirmou que pediria demissão se estivesse no lugar do ministro. Também pediram a saída do ministro a senadora Simone Tebet (MDB-MS) e parlamentares da oposição.

A presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Kátia Abreu (PP-TO), questionou a capacidade de fazer interlocuções do ministro, após diversos ataques aos chineses. Lembrou, por exemplo, as manifestações contrárias à participação chinesa na tecnologia 5G.

"Eu não estou contando novidade, não estou aqui para ofendê-lo. Isto foi público e notório: o seu preconceito com relação ao 5G, o preconceito da família com relação ao vírus. Qual é o país do mundo que quer passar vírus para alguém? Isso não existe. Quer dizer, uma coisa tão aberta. O presidente dizer que vende para a China, mas não vai vender o Brasil para a China? Palavras desnecessárias", afirmou a senadora.

"Então, a minha pergunta é a seguinte: o senhor se sente realmente à vontade, como chanceler do Brasil, para fazer essas ligações, essa interlocução, essas reuniões remotas com esses países, com a China e com os Estados Unidos, diante deste quadro diplomático desastroso, ministro?", completou.
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