25/03/2021 às 15h13min - Atualizada em 25/03/2021 às 15h13min

‘Dizer que o tratamento precoce não tem efeito é mentira’, afirma presidente do CFM

Presidente da Instituição disse ainda que não há consenso sobre o lockdown

Da Redação
O presidente do Conselho Federal de Medicina, Mauro Ribeiro | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Mauro Ribeiro, presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), disse, na manhã desta quinta-feira (25), em entrevista a Jovem Pan, que não é verdade que o tratamento precoce contra a covid-19 é ineficaz. “Em relação ao tratamento precoce, o que nós questionamos é essa história de que está estabelecido na literatura que o tratamento precoce não tem efeito contra a Covid-19 na fase inicial. Essa argumentação não é verdadeira. Existem trabalhos que mostram o benefício dessas medicações na fase inicial da doença, mas também existem outros que não mostram. O CFM não incentiva o tratamento precoce ou o condena, tampouco bane. Falar que a hidroxicloroquina e a ivermectina matam é falácia. Quem quer fazer o tratamento precoce, que faça. Quem não quiser, não faça”, disse.

Ribeiro também disse que, por ser uma doença nova, não há evidências de que o lockdown seja realmente eficiente no combate a ela. “Onde está a grande contribuição da ciência? No desenvolvimento das vacinas e no tratamento de pacientes críticos. O uso de anticoagulantes, o uso de corticoides, a posição crona, a intubação tardia, nós temos avanços. Quanto a fase inicial da doença, por mais que as pessoas digam que existe consenso na literatura em relação ao lockdown, não existe. Não existem estudos que provem que o lockdown tenha efeito melhor do que a proteção dos vulneráveis, uso de máscaras e distanciamento social”, concluiu.

Desde o começo da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem defendido a quarentena vertical, com isolamento apenas dos infectados pela covid-19, para que o resto da população - não infectada - pudesse seguir sua vida normalmente. No entanto, Bolsonaro foi ignorado e criticado por defender tais posições pela mídia e por prefeitos e governadores, muitos deles acusados de desviar dinheiro de recursos para o combate à pandemia, como o governador do RJ, Wilson Witzel, e seus secretários.
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