22/03/2021 às 18h49min - Atualizada em 22/03/2021 às 18h49min

Não é ficção científica. Pesquisadores israelenses desenvolveram um embrião de mamífero fora do útero.

Apesar dos debates éticos que cercam esse tipo de experimento, acredita-se que o sucesso do estudo com ratos poderá contribuir para pesquisas com fetos humanos.

Cristina Barroso
(REPRODUÇÃO)
Não é ficção científica. Pesquisadores israelenses desenvolveram um embrião de mamífero fora do útero.
Cientistas conseguiram cultivar o embrião de um mamífero fora do útero pela primeira vez.
Em um estudo publicado na quarta-feira na revista científica Nature, uma equipe de pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciência em Israel diz ter cultivado com sucesso mais de mil embriões de camundongos por seis dias usando um processo que envolve um dispositivo mecânico.

Na primeira parte do experimento a equipe removeu os embriões dos úteros de suas mães após cinco dias. Em entrevista ao The New York Times, o Dr. Jacob Hanna, um dos pesquisadores do projeto, disse que sua equipe conseguiu desde então tirar um embrião de um rato fêmea logo após a fertilização e cultivá-lo por 11 dias. Além disso, os embriões cultivados em laboratório são consistentemente idênticos aos seus homólogos “reais”.

A equipe passou sete anos criando a máquina que permitiu a realização da pesquisa. É um sistema de duas partes que consiste em uma incubadora e sistema de ventilação. Cada um dos embriões flutua em um frasco que é preenchido com um fluido especial cheio de nutrientes. Uma roda gira suavemente para que os embriões não criem aderência com a parede de sua casa temporária. Isso evita que os embriões se deformem e morram em seguida. Enquanto isso, um respirador integrado fornece oxigênio aos embriões, mantendo o fluxo e a pressão do ambiente.

A gestação leva cerca de 20 dias para chegar ao ponto de sobreviver fora do útero. Até agora, o útero mecânico que o Dr. Hanna e sua equipe criaram pode sustentar os ratos durante 11 dias de crescimento. É neste ponto, no que seria mais do que a metade de uma gravidez normal, que os embriões morrem. Os embriões se tornam grandes demais para sobreviver apenas com os nutrientes que absorvem através do fluído. Eles precisam de um suprimento de sangue, e esse é o próximo desafio técnico que a equipe planeja resolver. Uma solução possível inclui um suprimento de sangue artificial que poderia se conectar às placentas dos ratos, disse o Dr. Hanna.

Apesar dos debates éticos que cercam esse tipo de experimento, acredita-se que o sucesso do estudo com ratos poderá contribuir para pesquisas com fetos humanos.

“Eu espero que isso permita que cientistas desenvolvam embriões humanos até cinco semanas [fora do útero da mãe]”, disse o cientista Jacob Hanna, que conduziu a equipe no Instituto de Ciência Weizmann.


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