16/03/2021 às 19h11min - Atualizada em 16/03/2021 às 19h11min

Moradores de São Paulo relatam preocupação com sobrevivência com nova fase do Plano SP

Equipe do Tribuna Nacional conversou com trabalhadores que já foram alvo da polícia por estarem trabalhando

Vinicius Mariano
Moradores da cidade de São Paulo disseram, durante os protestos que tomaram as ruas da capital paulista, que estão preocupados com a sobrevivência durante a "fase emergencial" do Plano SP, que restringiu ainda mais o comércio em todo o estado. O Tribuna Nacional esteve nas manifestações e conversou com alguns manifestantes sobre esse novo ato do governo de São Paulo e sobre o cenário político no geral, o qual preocupa a maioria dos paulistanos, que já sofreram ameaças de prisão caso mantivessem o comércio aberto, inclusive.

Ao ser questionada se já havia tido algum problema profissional com as medidas de lockdown do governador, a jovem Maria Eduarda conta que já foi dispensada duas vezes do trabalho. "Voltei a trabalhar no final do ano passado, depois dele [o governador João Doria] ter aberto tudo no período eleitoral, no entanto, fui dispensada de novo porque o salão não pode abrir. Não sei o que vamos fazer, porque lá em casa eu era a única que trabalhava. Meus pais foram demitidos também e não conseguiram arrumar emprego desde então". Eduarda trabalhava em um salão de cabeleireiro no bairro Limão que fechou definitivamente em 2021 por causa das medidas de restrição de comércio impostas pelo governador.

Já o barista Marcos Almeida contou que seu Café foi fechado pelos fiscais do estado e pela Polícia Militar, que está servindo de guarda-costas do governador. "Abri mesmo durante as fases mais restritivas porque não dava mais, precisava trabalhar para sustentar minha família. Gastamos todo o nosso dinheiro lá em casa, diminuímos nossas contas ao máximo, mas chegou uma hora que não dava mais. A polícia fechou meu estabelecimento e a fiscalização me multou em R$ 1400,00. Tentei explicar a eles que estávamos tomando todas as medidas, como uso de máscara e álcool em gel, mas não ligaram. O fiscal disse que os policiais que estavam com ele me levariam presos se eu resistisse. Agora estou sem trabalhar, estamos passando necessidade e estou desesperado", disse Almeida.

O setor de bares, cafés e restaurantes foi um dos mais afetados pelas medidas do governador João Doria. Os jovens Gabriel Sampaio e Victor Henrique, ambos estudantes da USP, ao serem questionados se conheciam alguém que foi prejudicado com as medidas de Doria contaram que nos bairros onde moram, respectivamente no Cambuci e no Ipiranga, esses estabelecimentos foram todos fechados. "Todos os comerciantes do meu bairro e os donos de restaurante que conheço foram muito prejudicados com essas medidas do governador. Eles tiveram que fechar aos montes no Cambuci", disse Gabriel. Victor contou também que muitos microempresários conhecidos foram alvos de tais medidas: "Muitos donos de restaurantes e amigos dos meus pais que são microempresários, que representam a maioria das empresas do Brasil, foram prejudicados". Victor também lembrou que o problema da pandemia nunca foi o comércio "O comércio sempre se manteve nas regras exigidas pelo estado, como o uso de máscara, o uso de álcool em gel e distanciamento, ele nunca foi o vilão. O fechamento do comércio é a medida mais autoritária do governador", complementou.

Desde sexta-feira (12) os paulistanos estão em peso indo às ruas se manifestar contra as medidas que o governador João Doria, que colocou um efetivo da Polícia Militar na entrada da rua Itália, onde mora, para intimidar os manifestantes e evitar que eles vão para a frente de sua casa diretamente.
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