11/03/2021 às 19h36min - Atualizada em 11/03/2021 às 19h36min

Dinamarca, Islândia e Noruega, suspenderam o uso da vacina de Oxford-AstraZeneca para investigar efeitos colaterais

Governos da Dinamarca, Islândia e Noruega suspenderam a aplicação de doses do imunizante da Astrazeneca como medida preventiva após vacinados relatarem coágulos

Cristina Barroso
CNN
(REPRODUÇÃO)
A Dinamarca, a Islândia e a Noruega suspenderam o uso da vacina Oxford-AstraZeneca por duas semanas enquanto investigam relatos de alguns pacientes que desenvolveram coágulos sanguíneos após serem imunizados. A decisão ocorre dias após vários outros países da UE suspenderem o uso de um lote específico da vacina.

O ministro da Saúde dinamarquês, Magnus Heunicke, disse nesta quinta-feira (11) que as autoridades estão procurando "sinais de um possível efeito colateral sério na forma de coágulos sanguíneos fatais", embora tenha deixado claro que era uma "medida de precaução", dizendo que ainda não era possível concluir se os coágulos foram ocasionados pela vacina.
“Agimos cedo, isso precisa ser investigado minuciosamente”, disse Magnus em um tweet.
 A autoridade de Saúde dinamarquesa também confirmou a suspensão em um comunicado com a informação de que sua investigação incluiria a investigação de uma morte na Dinamarca.

“Estamos no meio do maior e mais importante lançamento de vacinação da história da Dinamarca. E agora precisamos de todas as vacinas que pudermos obter. Portanto, colocar uma das vacinas em pausa não é uma decisão fácil. Mais precisamente porque nós vacinamos muitos, também precisamos responder com cuidado oportuno quando houver conhecimento de possíveis efeitos colaterais graves. Precisamos esclarecer isso antes de continuarmos a usar a vacina da AstraZeneca", disse Søren Brostrøm, diretor do Conselho Nacional de Saúde na declaração.

“É importante enfatizar que não optamos pela vacina AstraZeneca, mas a estamos suspendendo. Há boas evidências de que a vacina é segura e eficaz. Mas nós e a Agência Dinamarquesa de Medicamentos temos que reagir a relatórios de possíveis efeitos colaterais graves, tanto da Dinamarca como de outros países europeus. Isso mostra que o sistema de monitoramento funciona".

A Agência Dinamarquesa de Medicamentos disse que está trabalhando com a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e outras autoridades farmacêuticas da UE para investigar vários relatos de coagulação do sangue.
No início desta semana, a Áustria suspendeu o uso de um lote específico da vacina AstraZeneca - lote ABV5300 - depois que "uma pessoa foi diagnosticada com trombose múltipla", de acordo com a EMA.
Até terça-feira, Estônia, Lituânia, Luxemburgo e Letônia também suspenderam o uso do lote ABV5300.
Não foi especificado se a morte dinamarquesa estava ligada a este lote.

Em declarações à CNN, Kjartan Njálsson, assistente do diretor de saúde da Islândia, disse que embora não tenha havido relatos de pacientes que desenvolveram coágulos sanguíneos no país, eles aguardavam o conselho da Agência Europeia de Medicamentos. "É a falta de dados agora que nos preocupa", acrescentou.
A EMA disse na quarta-feira que "atualmente não há indicação de que a vacinação tenha causado essas doenças, que não estão listadas como efeitos colaterais dessa vacina".

"O lote ABV5300 foi entregue a 17 países da UE e compreende 1 milhão de doses da vacina. Alguns países da UE também suspenderam posteriormente este lote como medida de precaução, enquanto uma investigação completa está em andamento. Embora um defeito de qualidade seja considerado improvável nesta fase, a qualidade do lote está sendo investigada ", disse a EMA em um comunicado.
O Instituto Norueguês de Saúde Pública emitiu um comunicado dizendo que o país também escolheu "pausar" as vacinações após relatar uma morte na Dinamarca como resultado de um coágulo sanguíneo. Ele também observou relatos de casos de coágulos sanguíneos logo após receber a vacinação Covid-19 na Noruega, mas "principalmente em idosos, onde frequentemente há outra doença subjacente".

A investigação é o mais recente problema na Europa para a farmacêutica sueco-britânica AstraZeneca, que está sob pressão para produzir mais vacinas depois de reduzir dezenas de milhões de doses nas entregas para a União Europeia.
 
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