03/02/2021 às 10h08min - Atualizada em 03/02/2021 às 10h08min

"É impossível defender a volta do voto em cédula", diz Barroso

STF já derrubou uma lei que implementava o voto impresso antes a pedido da PGR

Vinicius Mariano
O presidente do TSE, Luís Roberto Barroso | Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, defendeu, em seu discurso de abertura do ano judiciário, as urnas eletrônicas e disse que a implementação do voto impresso favoreceria "fraudes que marcaram negativamente a história brasileira", e que "o país não precisa de um modelo que vai gerar judicialização dos resultados das eleições."

Barroso disse ainda que o Brasil viveu fraudes eleitorais antes do surgimento das urnas eletrônicas, que foram utilizadas a partir de 1996. "Os lançamentos nos mapas eleitorais, a bico de pena, motivaram movimentos como o tenentismo e a Revolução de 1930. Portanto, é impossível defender a volta do voto em cédula", afirmou.

De acordo com ele, o sistema eletrônico suplantou esses problemas sem que nunca tenha havido evidência de qualquer irregularidade. Também afirmou que a hipótese de imprimir um comprovante do voto na urna geraria uma enorme onda de judicialização por parte dos derrotados. "Tudo o que não precisamos no Brasil."

Essa não é a primeira vez que Barroso critica o voto impresso. Em outra oportunidade, ele disse que as eleições de 2020, ano em que deu um problema no sistema do TSE e levantou suspeitas sobre o resultado, ocorrem "sem prejuízo da credibilidade do sistema". O STF já derrubou, a pedido da Procuradoria Geral da República, à época ocupada por Rachel Dodge, uma lei de autoria de Jair Bolsonaro, quando ainda era deputado, que trazia o voto impresso. O argumento utilizado pela Corte foi o de que o voto impresso comprometeria o sigilo das votações. Apenas Gilmar Mendes e Dias Toffoli votaram contra a derrubada.
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