30/01/2021 às 00h16min - Atualizada em 30/01/2021 às 00h16min

Israel ameaça atacar o Irã se Biden relaxar as sanções e retomar o acordo nuclear de 2015

Se Biden relaxar as sanções imposta pelos Estados Unidos ao Irã, e se unir novamente ao Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) de 2015, autoridades israelenses avisam que atacarão o Irã.

Cristina Barroso
(REPRODUÇÃO)
Se Biden relaxar as sanções imposta pelos Estados Unidos ao Irã, e se unir novamente ao Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) de 2015, autoridades israelenses avisam que atacarão o Irã.

Duas semanas atrás, Tzachi Hanegbi, membro do gabinete e principal conselheiro do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, ameaçou que Israel tomaria medidas, como fez contra o Iraque na década de 1980 e contra a Síria em 2007, para impedir o Irã de avançar seu programa nuclear.
Habegbi disse: “Se o governo dos Estados Unidos voltar a aderir ao acordo nuclear – e essa parece ser a política declarada a partir de agora – o resultado prático será que Israel estará novamente sozinho contra o Irã; é claro que não permitiremos. Já fizemos duas vezes o que precisava ser feito, em 1981 contra o programa nuclear do Iraque e em 2007 contra o programa nuclear da Síria”, noticiou o The Times of Israel.
Os comentários de Hanegbi referiram-se aos ataques de Israel ao Iraque e aos reatores nucleares da Síria.

Especialistas israelenses concordam que qualquer concessão a Teerã apenas acelerará a corrida do Irã para desenvolver uma bomba nuclear.
Desde que o presidente Donald Trump retirou os EUA do acordo com o Irã em 2018, os EUA têm cada vez mais imposto sanções ao Irã, sob uma campanha de “pressão máxima”. O Irã, por sua vez, violou seus próprios compromissos com o acordo nuclear e tem armazenado e enriquecido urânio além dos níveis permitidos pelo acordo.
Na quinta-feira (21), Israel parece ter atacado um alvo iraniano na Síria. O Irã tem apoiado o regime do líder sírio, Bashar Al-Assad, durante a guerra civil síria nos últimos anos.

Biden tem sugerido repetidamente que os EUA deve voltar ao acordo nuclear com o Irã de 2015, e seu site de campanha disse que ele “entraria novamente no acordo, usando diplomacia obstinada e apoio de nossos aliados para fortalecê-lo e estendê-lo, ao mesmo tempo em que reagiria de maneira mais eficaz contra as outras atividades desestabilizadoras do Irã”.

Em contraste, o secretário de Estado indicado de Biden, Antony Blinken, disse durante uma audiência de confirmação do Senado na semana passada, que um retorno ao acordo com o Irã ainda está “muito longe”. Blinken disse: “Teríamos que ver, uma vez que o presidente estiver no cargo, quais passos o Irã realmente dá” e avaliar se “eles estão voltando ao cumprimento de suas obrigações”; e disse que um retorno ao acordo de 2015 serviria como uma plataforma para um “acordo mais longo e mais forte” para abordar o programa de mísseis do Irã e seu patrocínio de terrorismo e outras atividades malignas.

Antevendo suas expectativas para o governo Biden em dezembro, o presidente iraniano Hassan Rouhani previu que Biden voltaria ao acordo com o Irã e as sanções impostas pelos EUA “seriam quebradas”.
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