14/07/2020 às 18h23min - Atualizada em 14/07/2020 às 18h23min

Editora do NYT anuncia saída e dispara contra o jornal

Bari Weiss denuncia perseguição ideológica

Kaio Lopes
FOX NEWS
Bari Weiss em ''A provocadora da esquerda'' por Vanity Fair
Nesta terça-feira, 14, eclodiu uma polêmica sobre a ''Dama Cinzenta'' do jornalismo global. Isto porque, em carta divulgada à edição AG Sulzberger e publicada em seu site pessoal, a editora de opinião e colunista do New York Times, Bari Weiss, anunciou sua demissão e acusou haver constantes intimidações dos colegas de redação num ambiente, segundo ela, ''iliberal''. 

Weiss começou a nota confirmando sua saída: ''É com tristeza que escrevo para dizer que estou renunciando ao The New York Times''. Ressalta, entre outras coisas, que aceitou a participação no jornal, em 2017, porque traria uma perspectiva diferente, considerando 'o fracasso do Times em antecipar o resultado das eleições de 2016 significou que ele não tinha uma percepção firme do país que cobre'. Ela relatou ainda a falta de aprendizado da empresa. Confira alguns trechos da carta abaixo:

''Mas as lições que deveriam ter seguido a eleição - lições sobre a importância de entender outros americanos, a necessidade de resistir ao tribalismo e a centralidade da livre troca de ideias para uma sociedade democrática - não foram aprendidas. Em vez disso, surgiu um novo consenso na imprensa, mas talvez especialmente neste artigo: que a verdade não é um processo de descoberta coletiva, mas uma ortodoxia já conhecida por alguns esclarecidos, cujo trabalho é informar todos os outros''. Sobre a influência que tange o editorial, ela disse: ''o Twitter não está no cabeçalho do NYT, mas a mídia social atua como editor final''.

Bari continuou: ''Como a ética e os costumes dessa plataforma se tornaram os do jornal, este último se tornou cada vez mais uma espécie de espaço de atuação. As histórias são escolhidas e contadas de maneira a satisfazer um público mais restrito, em vez de permitir que um público curioso leia sobre o mundo e depois tire suas próprias conclusões. Sempre fui ensinada que os jornalistas eram encarregados de escrever o primeiro rascunho da história. Agora, a própria história é mais uma coisa efêmera e moldada para atender às necessidades de uma narrativa predeterminada''.

Ainda na carta, ela declarou que suas inclinações políticas tornaram-na alvo de ''assédios morais constantes'' por colegas de visões dissonantes, declarando ter sido chamada de ''nazista e racista''.

No final da famigerada carta, foi explicado como funcionam as regras internas da Grey Lady: ''Regra 1: fale com sua mente por sua própria conta e risco; regra 2: nunca arrisque encomendar uma história que vá contra a narrativa; regra 3: nunca acredite em um editor ou editora que exija que você vá contra a corrente. Eventualmente, a editora cairá na multidão, o editor será demitido ou transferido.e você ficará pendurada para secar''. Bari acrescentou considerar os EUA um ótimo país e merecedor de um jornal tão bom quanto, mas salientou que o The New York Times não é quem esteja exercendo essa função.  

O episódio, entretanto, ainda que de foro íntimo, a partir da sua publicidade, elucida sobre o quão parcial e propensa à esquerda estão os principais formadores de opiniões do mundo, estejam eles no âmbito individual ou nos backstages das maiores publicações globais.

 
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