22/01/2021 às 12h18min - Atualizada em 22/01/2021 às 12h18min

Cientistas pediram desculpas ao mundo por estudo que desqualificou o uso da Cloroquina no combate a pandemia

Cristina Barroso
(REPRODUÇÃO)
O estudo científico que inviabilizou o uso da cloroquina e de seu derivado, no combate a pandemia de Covid-19, foi retirado da revista médico-científica britânico The Lancet, por três dos quatro cientistas autores do estudo, por não poderem sustentar a veracidade dos dados do estudo que desqualificou o uso da hidroxicloroquina no combate ao vírus da Covid-19, de acordo com o comunicado divulgado na tarde desta quinta-feira (4) no site da Revista médico-científica The Lancet.
 
Três dos quatro autores do estudo que invalidou o uso da cloroquina e do seu derivado, a hidroxicloroquina, em casos de Covid-19, afirmaram que não é possível garantir a veracidade dos dados do estudo. Por esse motivo, os cientistas pediram a retirada do estudo da publicação.
Os cardiologistas e cirurgiões Mandeep Mehra, Frank Ruschitzka e Amit Patel não obtiveram sucesso na validação independente dos dados usados para a publicação do estudo, o que torna impossível a checagem dos óbitos e o acesso às fichas completas dos 96 mil pacientes que fizeram parte do levantamento.

“Nós não podemos mais garantir a veracidade das fontes dos dados primários. Por causa deste desenvolvimento infeliz, os autores pedem que o artigo seja retratado”, afirma o médico e cientista Mandeep Mehra, em comunicado.

Publicado em 22 maio, o estudo afirmava que o uso de quatro protocolos diferentes de medicamentos – todos usando cloroquina ou sua variação moderna, a hidroxicloroquina – não surtiu efeito sobre o vírus SARS-CoV-2, agente causador da Covid-19.
O estudo relata que um dos efeitos colaterais descritos na bula dos medicamentos, a arritmia cardíaca, colocou em risco a vida de pacientes de diversos grupos, desde os menos severos até os que estavam em estado crítico. 

A retratação do estudo acontece um dia após a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciar a retomada dos testes com ambas as substâncias.
Médicos, cientistas e estatísticos de diversos países também se manifestaram sobre a metodologia aplicada, que utilizou um banco de dados da empresa  Surgisphere especializada em informações médicas.

Em carta pública, 120 autoridades médicas contestaram os números, e solicitaram que a OMS conduzisse auditorias independentes para validar as informações relativas ao tratamento de pacientes com Covid-19.
“Nós todos entramos nessa [Jornada de] coloboração para contribuir, em boa fé  em um tempo de grande necessidade, com a pandemia de Covid-19. Pedimos desculpas sinceras para você, para os editores e para os leitores do Jornal [A revista The Lancet] pelo constrangimento e pela inconveniência causados”, informa a carta.
A retratação do estudo, assim como a íntegra da publicação original, ainda se encontram disponíveis no site da The Lancet.
 
 
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