19/01/2021 às 08h56min - Atualizada em 19/01/2021 às 08h56min

Uma Unidade com 13 leitos de UTI e estariam equipados com insumos, equipe de enfermagem contratada e disponíveis para uso desde a sua inauguração no dia 11 de janeiro. Nunca foi usada!

Os óbitos aconteceram lá porque não puderam subir para a UTI que está montada, mas não tem um único especialista. Algo precisa ser feito", revelou um profissional de saúde do instituto, que pediu para ter a identidade preservada.

Cristina Barroso
CNN
(REPRODUÇÃO)
Essa crise na saúde em Manaus precisa ser mais investigada.
Durante toda a pandemia o que não faltou foram escândalos de corrupção e má gestão pública investigados pela Polícia Federal. 

Na entrada da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Instituto da Mulher Dona Lindu, em Manaus, um aviso:
"UTI Covid. Não entre sem permissão".
Ao passar a porta, as imagens obtidas com exclusividade pela CNN mostram dois setores, que somam 13 leitos de UTI e estariam equipados com insumos, equipe de enfermagem contratada e disponíveis para uso desde a sua inauguração no dia 11 de janeiro.

Profissionais de saúde denunciam que a falta de médicos intensivistas, seria o motivo para o lugar nunca ter sido usado?

"Então essa unidade acaba sendo um elefante branco. O Ministério da Saúde lançou um edital contratando equipe. Infelizmente, tivemos casos de óbitos, porque as pacientes necessitam de suporte de UTI, mas tiveram que ser remanejadas ou não tiveram nem tempo.

Os óbitos aconteceram lá porque não puderam subir para a UTI que está montada, mas não tem um único especialista. Algo precisa ser feito", revelou um profissional de saúde do instituto, que pediu para ter a identidade preservada.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais no dia 1° de janeiro, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), diz que está ampliando a rede de atendimento com mais 59 leitos na Dona Lindu, sendo 13 de UTI. "Os equipamentos estão nesse momento sendo inclusive desembarcados nesta unidade.", disse.

O desespero para conseguir internações de pacientes com Covid-19 durante a crise da falta de oxigênio e leitos na rede de saúde pública do Amazonas é uma realidade vista na entrada de muitos hospitais, em Manaus, como o pronto-socorro 28 de Agosto. 
Apenas um estacionamento compartilhado separa a maior referência em emergência da capital do Amazonas do Instituto da Mulher, onde estão os 13 leitos de UTI.

No final da tarde de domingo (17), Nívea Maria parou o carro na entrada do pronto-socorro e saiu correndo em busca de atendimento para a irmã dela, que estava no banco de trás com sinais de insuficiência respiratória.
Um enfermeiro a examinou, viu que o caso era sério, mas informou que recebeu a ordem de que o hospital não tem condições de receber mais pacientes.
"Agora, a gente vai levar para onde, senhor? Porque todo o lugar que a gente chega está a mesma situação. Ela está com a saturação em 86. Eu já vim de três lugares. Ninguém atende ela, porque dizem que não tem vaga", lamentou Nívea Maria. 
Em seguida, ela entrou no hospital, insistiu com enfermeiros e conseguiu que a irmã fosse internada.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas informou que "a prioridade no momento é garantir a assistência adequada aos pacientes internados nos leitos das unidades já em funcionamento, com todos os esforços direcionados para este objetivo".
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