15/01/2021 às 17h50min - Atualizada em 15/01/2021 às 17h50min

Aumento do ICMS de Doria pode causar 50 mil demissões

Governador aumentou o ICMS de carros usados em 203%

Vinicius Mariano
Na última quarta-feira (13), entidades e associações do setor automotivo apresentaram estudos sobre os prejuízos que o aumento da alíquota do ICMS imposta pelo governador João Doria (PSDB-SP) vai causar no estado. Dentre os prejuízos, estão o aumento de preço dos carros usados, adquiridos geralmente pela parcela mais pobre da população, o fechamento de lojas de novos e usados e demissões em massa, já que o consumo será drasticamente reduzido.

No estado de SP, há aproximadamente 12,5 mil lojas multimarcas, que empregam 300 mil pessoas, direta e indireamente. Além das 1.701 concessionárias, responsáveis por mais 71.442 empregos diretos, segundo a Fenabrave (Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores).

"Esperávamos, no mínimo, respeito e consideração do governo com os lojistas para que tivéssemos um diálogo técnico, lógico e racional sobre essas negociações de aumento do imposto. Se esse decreto entrar em vigor, ele trará mais informalidade ao setor, migração para outros estados, menos arrecadação para o estado de São Paulo e o fechamento de muitas lojas, e consequentemente, aumento massivo de desemprego", afirmou Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave.

A entidade previu um crescimento de 15,8% na venda de carros e comerciais leves 0 KM para este ano em relação a 2020. Porém, com o aumento do ICMS, Alarico afirmou que esse número deve abaixar.

A justificativa no aumento do imposto em todo o estado São Paulo se deve pela crise econômica provocada pela pandemia da Covid-19, o que necessita um aumento de arrecadação, segundo o governo. Em 2019, São Paulo arrecadou R$ 144 bilhões em ICMS, representado 84% dos valores recolhidos em tributos pelo estado. Comércio e serviços representam o setor que mais recolhe esse imposto, com 38,2% da participação.

"Nós acreditamos que será muito forte o desemprego. A maioria dos lojistas que eu conversei nesses últimos dias me disseram que vão fechar e que não irão trabalhar na ilegalidade. É difícil dizer quantos empregos serão perdidos, mas sinceramente, acreditamos que de 40 mil a 50 mil trabalhadores, sem dúvida", ressalta Ilídio dos Santos, presidente da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores).

Com uma visão ainda mais pessimista, o presidente da Fenabrave complementa dizendo que as mudanças também vão impactar as concessionárias. "Nós já tivemos uma perdas irreparáveis causadas pela pandemia. E além do desemprego, eu vou ainda mais longe, essa falta de previsibilidade causado pela pandemia com o aumento absurdo do ICMS pode até levar à falência do setor no cenário mais pessimista caso isso prevaleça", diz Alarico.

O Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos no Estado de São Paulo também lamentou a situação do estado de São Paulo.

"Eles deveriam pensar em reduzir custos e despesas e não simplesmente aumentar tributos, porque o tiro pode sair pela culatra. O governador pode estar pensando que vai aumentar arrecadação, mas vai perdê-la, porque vai empurrar o mercado de usados para a informalidade. É lamentável que o João Dória (PSDB), como líder empresarial, não perceba que isso só vai prejudicar os empresários, gerar muito desemprego, levar o mercado para a informalidade e criar evasão fiscal", comenta Álvaro Faria, presidente do sindicato.
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