14/01/2021 às 11h41min - Atualizada em 14/01/2021 às 11h41min

Empresário cita Mandetta em depoimento que envolve Witzel e ex-secretário Edmar Santos em propina

Ex-secretário de Saúde do RJ teria desistido de punir a organização Iabas após reunião com o na época Ministro da Saúde

Vinicius Mariano
O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), foi citado pelo empresário Edson Torres em depoimento no processo de impeachment do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), temporariamente afastado e alvo de um pedido de impeachment. Edson Torres confessou que participou de um esquema de desvios de dinheiro da secretaria da Saúde do RJ, esquema esse que beneficiava outras pessoas, dentre elas, o próprio Witzel.

Torres disse no depoimento que o ex-secretário de Saúde do RJ, Edmar Santos, desistiu de punir a entidade Iabas, contratada para fazer a montagem e a gestão dos hospitais de campanha do Rio, após participar de uma reunião com Roberto Bertholdo, advogado do Iabas, e o ex-ministro Mandetta.

“No começo de 2019, falávamos da incapacidade de gestão do Iabas no Hospital Adão Pereira Nunes, que seria necessário retirá-lo. Depois de 15 dias, Edmar (ex-secretário da Saúde do RJ) voltou de uma reunião em Brasília com o ex-ministro Mandetta. Ele disse que lá, no gabinete do Ministro, foi apresentado ao Roberto Bertholdo, e que pediu para poder fazer uma gestão para manter o Iabas”, afirmou Torres.

O Iabas já havia sido proibido pela Prefeitura do RJ de participar de licitações para gestão de hospitais devido às irregularidades nos contratos, que geraram prejuízos aos cofres públicos, mas mesmo assim, a organização foi escolhida sem licitação pelo governador Witzel para gerir sete hospitais de campanha inicialmente por R$ 835,8 milhões, isto é, quase 1 bilhão. Witzel é acusado de ter responsabilidade nas fraudes para a contratação do Iabas. O governador afastado ainda receberia parte dos cerca de R$ 50 milhões recolhidos pelo esquema de desvios de dinheiro, entre 2019 e início de 2020.

São Paulo
O Iabas também gere hospitais em São Paulo, capital. Contratado em 2016, na primeira gestão de João Doria (PSDB-SP), o Iabas teve um adicional de R$ 18 milhões no contrato em 2020, na gestão Bruno Covas (PSDB-SP), para administrar 1300 leitos. O hospital de campanha do Anhembi foi aberto em abril de 2020, mas foi fechado pela prefeitura em agosto, durante a pandemia de covid-19.
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