08/01/2021 às 17h13min - Atualizada em 08/01/2021 às 17h13min

Dória corta alas pediátrica e oftalmológica do Hospital de Sumaré

Governador tem tomado uma série de medidas que precarizam o setor de saúde em SP

Vinicius Mariano
Portal CBN Campinas
O governador de SP, João Doria | Foto: governo de SP
O Governo do Estado de São Paulo decidiu reduzir os gastos com a saúde no interior. Um dos principais locais afetados é o Hospital Estadual de Sumaré.

Nesta quinta-feira, foram fechadas a enfermaria pediátrica e a ala oftalmológica da unidade hospitalar. A medida é resultado de um corte de verbas de R$ 8,7 milhões/ano promovido pelo governador João Doria (PSDB). 

De acordo com fontes ouvidas pela CBN Campinas, o fechamento das alas foi comunicado nesta quinta-feira às coordenações para que façam todos os procedimentos até o próximo dia 31 de janeiro. Além disso, cerca de 120 profissionais devem ser demitidos nas próximas semanas. Outros setores devem ser afetados com o possível corte de 8 mil exames de tomografias e ressonâncias; 4 mil cirurgias ambulatoriais entre elas cirurgias de prótese de quadril e joelho, cirurgias urológicas, cirurgias de  ostomizados, cataratas, retina (urgência) e mais de 20 mil consultas de ambulatório. 

Os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AME’s) da região de Campinas também devem sofrer cortes que variam de 8% a 10%. Em Piracicaba, o hospital também foi atingido com um corte de cerca de R$ 3,5 millhões/ano, afetando os serviços de oftalmologia.

O outro lado
A Secretaria de Estado da Saúde foi procurada e garantiu a assistência à população da região de Campinas. Informou que haverá uma reorganização de fluxos e pactuações para serviços eletivos ou com baixa demanda.

Disse também que nenhuma alteração será feita no Hospital Regional de Piracicaba, com foco na assistência a casos graves de coronavírus.

O Hospital Estadual de Sumaré já atua com Pronto Socorro referenciado e teve o perfil mantido. Haverá adequações na enfermaria pediátrica devido à ociosidade – a ocupação chegou a atingir somente 45% na enfermaria, com demanda predominante de média complexidade que pode ser absorvida pela rede primária, com possibilidade de ampliação pelas prefeituras. As UTIs pediátrica e neonatal serão mantidas.

Procedimentos eletivos em oftalmologia contam com serviços de referência nos AMEs de Campinas, Piracicaba e Santa Bárbara D’Oeste.

A Secretaria de Saúde de SP disse ainda que é fundamental reiterar que ao governo tem atuado para salvar vidas e combater a pandemia de COVID-19. Com o recrudescimento da doença em todo o mundo, este combate segue como eixo prioritário de atuação e exigindo equacionamento orçamentário de caráter transitório.

Os ajustes estão amparados na Lei Orçamentária de 2021 e não representam prejuízo aos pacientes da rede pública de saúde.

Controvérsia
Apesar de o governador João Doria se dizer preocupado com a saúde em SP e "seguir a ciência", ele vem tomando atitudes um tanto quanto heterodoxas. Essa semana, por exemplo, conforme noticiou o Tribuna Nacional, Doria cortou 12% do repasse do Estado às Santas Casas de SP, o que, somado à inflação do setor hospitalar, que foi de 11%, gerou um rombo de 23% no orçamento desses hospitais. Além disso, para o orçamento de 2021, Doria diminuiu a verba da saúde, mas aumentou em quase 100% a verba da propaganda. Em outubro, o governador também fechou leitos de UTI em alguns hospitais de SP, como no hospital Hospital Adib Jatene, que fica no município de Sorocaba e atende cerca de 50 cidades da região.
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