07/01/2021 às 20h28min - Atualizada em 07/01/2021 às 20h28min

Por onde anda Jack Ma? Na queda de braço entre o capital e a capital, Pequim segue no topo.

Ma não fez nenhuma aparição pública ou postagem nas redes sociais desde o final de outubro, pouco mais de uma semana antes de uma tão esperada listagem no mercado de ações da afiliada financeira do Alibaba , Ant Group, ser bloqueada no último minuto pelos reguladores chineses.

Cristina Barroso
Exame
(REPRODUÇÃO)
Para quem acredita em simbolismos, os acontecimentos destes primeiros dias de 2021 mostram quem manda (e, principalmente, quem continuará mandando) na China. 
Na queda de braço entre o capital e a capital, Pequim segue no topo.

Ma criticou o sistema regulatório chinês, numa conferência em Xangai, afirmando que o excesso de controle poderia sufocar a inovação. 
Depois, em dezembro, reguladores chineses anunciaram uma investigação contra o Alibaba por supostas práticas monopolistas. 
Até que o fim do ano chegou, e o sumiço de Ma começou a ficar visível demais para um empresário conhecido por imitar celebridades como Michael Jackson nos eventos anuais de seu conglomerado. Ma desapareceu até de um reality show criado por ele mesmo, o Africa’s Business Heroes.
 
Ma não fez nenhuma aparição pública ou postagem nas redes sociais desde o final de outubro, pouco mais de uma semana antes de uma tão esperada listagem no mercado de ações da afiliada financeira do Alibaba , Ant Group, ser  bloqueada no último minuto pelos reguladores chineses.
 
O Ant Group deixou de preparar a maior oferta pública inicial do mundo para receber a ordem de reformar grandes áreas de seus negócios. Os reguladores chineses criticaram a empresa por afastar os rivais do mercado e prejudicar os direitos do consumidor.

O cerco a grandes empresários é, por assim dizer, uma prática do Partido Comunista Chinês.

No fim de 2015,Guo Cuangchang , dono do conglomerado Fosun, foi detido para prestar esclarecimentos à polícia. Por dias ficou incomunicável com seus executivos. O Fosun, assim como o Alibaba, estava numa agressiva estratégia de expansão nacional e internacional, com negócios em seguros e até entretenimento, com a compra da companhia Cirque Du Soleil.

Anos atrás a revista Forbes calculou que um bilionário chinês morria a cada 40 dias – entre as principais causas de morte estavam suicídio e assassinato. “O chamado modelo chinês vive uma constante contradição entre a liberdade econômica e a crescente centralização política. Essa contradição se acentua nas maiores empresas do país, sobretudo naquelas com aspiração global”, diz o investidor Diogo Castro e Silva, experiente no ambiente de negócios chinês.
A agência Bloomberg diz que o governo “perdeu a paciência com Ma”, e que recomendou ao empresário não deixar o país.
Outro símbolo de prosperidade, Ma Huateng, dono da holding Tencent, também tem sido alvo de constante escrutínio. A China é um lugar arriscado para investidores?
Em nenhuma outra grande economia o sucesso empresarial é visto como uma ameaça tal qual na China.

O sumiço de Jack Ma é marcante para iniciar uma década que deve consolidar a China como a maior economia do mundo. As previsões mais recentes, divulgadas esta semana, indicam que o país deve ultrapassar o PIB dos Estados Unidos em 2028, e não mais em 2033, como projeta a consultoria britâica Centre for Economics and Business Research.
A partir de 2021, a consultoria calcula que a China deve crescer anualmente cerca de 5,7% até 2025.

O ano de 2021 marcará também o começo do novo Plano Quinquenal chinês. Com o mote de fazer o mercado interno e externo “se complementarem”, segundo Xi, o plano traz de forma clara que a guerra comercial com os EUA deve perdurar.
A pergunta número 1 é se um país que coloca o controle político à frente da economia será capaz de não só assumir como de manter a dianteira econômica global. É mais fácil descobrir onde está Jack Ma do que responder a este enigma.
 
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