04/01/2021 às 14h57min - Atualizada em 04/01/2021 às 14h57min

Hollywood refém do PCC chinês. Produzido em Hollywood, Censurado por Pequim.

É no mínimo inconsistente que Hollywood se submeta à censura e subserviência ao PCC em prol do lucro financeiro, ao mesmo tempo em que vende sua imagem como segmento progressista que afirma dizer a verdade diante do poder e defender a justiça social e oportunidades iguais para todos, independentemente de gênero, cor da pele, etnia, religião ou orientação sexual.

Cristina Barroso
Gatestone Institute
(REPRODUÇÃO)
A China tem "incrível influência sobre Hollywood" de acordo com Chris Fenton, executivo de longa data de Hollywood e autor do livro Feeding the Dragon: Inside the Trillion Dollar Dilemma Facing Hollywood, the NBA, and American Business.

"Mesmo que um determinado filme ou série de TV não seja produzido para gerar receita na China. 'Mesmo que os produtores digam: dado que o filme reúne as condições necessárias e não necessite do mercado chinês. Vamos trabalhar nele, fiquem à vontade com o conteúdo e produzam-no para os Estados Unidos e para outros países democráticos'.Bem, neste caso, a China irá descobrir a existência do filme e saber tudo sobre ele, mesmo que este filme em particular não seja projetado na China, a China irá penalizar o estúdio ou os cineastas envolvidos naquele filme em particular, para que eles não consigam projetar outros filmes no país".

A maioria dos cinéfilos provavelmente não sabe que o PCC pode se intrometer na narrativa do filme que estão assistindo: os filmes censurados de Hollywood não vêm com um rótulo avisando que foram censurados. A censura do Departamento de Propaganda do Partido Comunista Chinês não é um assunto que Hollywood esteja disposto a debater abertamente.
"Uma das coisas mais impressionantes sobre a pesquisa da PEN America foi o quão reticente os profissionais de Hollywood foram para falar especificamente ou publicamente sobre o assunto": Produzido em Hollywood, Censurado por Pequim. "Foram várias as razões apresentadas para tal reticência, mas todas giravam em torno do medo de uma reação negativa de Pequim, do patrão ou de Hollywood em geral.

Conforme um produtor cinematográfico de Hollywood salientou à PEN América: 'todos nós temos medo de sermos citados em algum artigo sobre a China em Hollywood. '"
É no mínimo inconsistente que Hollywood se submeta à censura e subserviência ao PCC em prol do lucro financeiro, ao mesmo tempo em que vende sua imagem como segmento progressista que afirma dizer a verdade diante do poder e defender a justiça social e oportunidades iguais para todos, independentemente de gênero, cor da pele, etnia, religião ou orientação sexual.

Essa conversa fiada não coaduna com o fato de tibetanos e muçulmanos uigures, só para citar dois exemplos, não existam mais no universo de Hollywood, porque o PCC quer assim. Não há dúvida que estes problemas devem ser frequentemente questionados e debatidos em alto e bom som, a menos que já haja um consenso de que o PCC deve, daqui para frente, decidir que tipo de filmes serão produzidos nos Estados Unidos, Europa e mais além. Se esse tipo de coisa acontece e ninguém dos grandes estúdios apronta nenhum escarcéu, o que dizer então dos estúdios menores, cineastas independentes e coisas afim?
O problema é muito mais abrangente do que somente na indústria cinematográfica.
"Não se trata só de Hollywood, não é só uma questão técnica, não é só o basquete ou o problema dos esportes ou de vários outros setores..." salientou Chris Fenton.

"É tudo, de cabo a rabo. Para colocar produtos e serviços neste mercado, há certas regras a serem respeitadas... só assim será possível chegar a esses consumidores. Mas esses processos... estão ficando cada vez mais complicados... e mais extensos ao longo do tempo... Chegou a ponto de precisarmos dar um basta agora e aguentar o rojão ou simplesmente jogar a toalha... "

Em outubro do corrente ano, a China se tornou pela primeira vez o maior mercado cinematográfico do mundo, deixando a América do Norte para trás. "A venda de ingressos de cinema saltou na China para US$1,988 bilhão em 2020 neste domingo, ultrapassando o total da América do Norte de US$1,937 bilhão de acordo com dados da Artisan Gateway. A diferença deverá aumentar ainda mais até o final do ano", escreveu o The Hollywood Reporter em 18 de outubro. "Há muito tempo os analistas já previam que o país mais populoso do mundo chegaria um dia ao topo dos índices globais. Ainda assim os resultados representam um histórico divisor de águas".

"Finalmente chegou o dia em que a China se tornou o mercado cinematográfico nº 1 do planeta, ultrapassando o total de venda de ingressos da América do Norte em 2020", salientou o portal oficial do governo chinês, publicado sob os auspícios do Departamento de Informações do Conselho de Estado da China, também conhecido como Departamento de Propaganda do Partido Comunista da China do PCC,China.Org.Cn no artigo de autoelogio, intitulado "a China já é oficialmente o maior mercado cinematográfico do mundo. "O artigo, publicado em 20 de outubro, menciona o filme sucesso de bilheteria chinês: Os Oitocentos, uma película cinematográfica sobre a segunda guerra mundial, que conta a história de um grupo de soldados chineses sitiados pelo exército japonês, filme de maior bilheteria do mundo em 2020, bem como alguns outros filmes produzidos na China com lançamento previsto para o último trimestre de 2020.

É para isso que o PCC vem trabalhando há pelo menos uma década, ressaltava um comunicado divulgado em outubro de 2011 sobre a "urgência" de incrementar o "soft power e a influência internacional da China da sua própria cultura" e o desejo de "transformar nosso país em uma superpotência cultural socialista".
Esse desdobramento significa um revés para Hollywood que durante anos procura ter mais acesso ao enorme e lucrativo mercado chinês. A China não depende mais dos sucessos de bilheteria americanos para lotar seus cinemas. Hollywood, todavia, precisa do mercado chinês para que seus filmes sejam sucessos financeiros.
 
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