04/12/2020 às 15h39min - Atualizada em 04/12/2020 às 15h39min

CEO e funcionários da Sinovac pagaram propina para aprovação de vacinas

Casos ocorreram entre 2001 a 2016. João Doria, defensor da coronavac, ainda não se manifestou sobre o escândalo

Vinicius Mariano
(REPRODUÇÃO)
Yin Weidong, fundador e presidente (CEO) da Sinovac, empresa que vai fornecer a vacina chinesa em parceria dom o instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, admitiu ter pagado mais de US$ 83.000 (isto é, mais de 83 mil dólares) em propinas de 2002 a 2011 para o funcionário Yin Hongzhang, da agência reguladora de saúde chinesa (a "ANVISA da China"). Yin Hongzhang confessou que recebeu os valores em troca expedir as certificações de vacinas da Sinovac. O caso foi julgado em 2016 e foi revelado nesta sexta-feira (04) pelo jornal norte-americano Washington Post.

Hongzhang foi condenado em 2017 a 10 anos de prisão por aceitar propina da Sinovac e de outras sete empresas. No entanto, Yin Weidong, o CEO, da Sinovac, agora com 56 anos, não foi acusado e continua a comandar a campanha de vacinação contra o coronavírus da Sinovac. 

Essa, no entanto, não foi a única vez que a Sinovac se envolveu em escândalos de propinas para ter seus medicamentos aprovados. Segundo o Washington Post, entre 2008 e 2016, pelo menos 20 funcionários do governo e de hospitais em cinco províncias do país de Xi Jinping foram condenados pela justiça chinesa por aceitarem subornos de funcionários da Sinovac, que anunciou, em 2017, que tinha iniciado uma investigação interna sobre os subornos e propinas que seus funcionários andavam oferecendo a agentes do governo. No entanto, ela ainda não anunciou o resultado da investigação.

Embora as vacinas que a Sinovac subornou funcionários do governo para obter aprovação não apresentaram efeitos colaterais até o momento, médicos americanos disseram que em uma pandemia como a de coronavírus a vacina chinesa deve ser tratada com cautela.

O fato de a empresa ter um histórico de suborno lança muitas dúvidas sobre suas alegações de dados não publicados e não revisados ​​por especialistas sobre sua vacina”, disse Arthur Caplan, diretor da divisão de ética médica do New York University Langone Medical Center. “Mesmo em uma pandemia, uma empresa com um histórico moralmente duvidoso deve ser tratada com grande cautela em relação às suas reivindicações”.

Coronavac em São Paulo
O governador de São Paulo, João Doria, assinou, por 90 milhões de dólares, um contrato para adquirir 46 milhões de doses da vacina chinesa e disse que profissionais de saúde serão vacinados ainda neste ano. Além disso, Doria disse também que em São Paulo a vacinação será obrigatória. O governador ainda não se manifestou sobre os escândalos divulgados pelo Washington Post.
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