03/12/2020 às 12h03min - Atualizada em 03/12/2020 às 12h03min

Nike, Coca-Cola e Apple fizeram lobby contra lei sobre trabalho forçado em Xinjiang, China

O grupo, que tem empresas que aderiram ao Sleeping Giants, tem pressionado o Congresso americano a flexibilizar a lei que proíbe importações feitas com trabalho escravo em Xinjiang

Vinicius Mariano
Nike, Apple e Coca-Cola estão entre o grupo de empresas que fizeram lobby no Congresso norte-americano para enfraquecer um projeto de lei que proíbe produtos importados feitas com trabalho forçado na região de Xinjiang, na China, segundo membros do próprio Congresso dos EUA.

O projeto, que proíbe várias categorias de produtos feitos por minorias muçulmanas perseguidas nos campos de concentração chineses, é um esforço para reprimir os abusos de direitos humanos e ganhou apoio tanto de Democratas, que são a esquerda, quanto de Republicanos, que são a direita dos EUA, e foi aprovado na Câmara em setembro por uma margem de 406 a 3. O projeto está tramitando no Senado, no entanto, pode sofrer revés caso Joe Biden seja eleito presidente e Trump não consiga provar suas acusações de fraude, dado que Biden, quando fora vice-presidente, abriu as portas da Casa Branca para a China através de contratos.

Nike, Coca-Cola e Apple trabalham com matérias primas que são importadas diretamente de Xinjiang, por isso têm lutado contra esse projeto de lei, argumentando que, embora condenem veementemente o trabalho forçado e as atrocidades atuais em Xinjiang, as exigências da lei podem causar estragos nas cadeias de abastecimento.

Xinjiang produz grandes quantidades de matérias-primas como algodão, carvão, açúcar, tomate e polissilício, e fornece trabalhadores para as fábricas da China. Grupos de direitos humanos e relatórios internacionais vincularam empresas multinacionais a tais fábricas, que utilizam os trabalhadores de Xinjiang, que têm mão de obra barata.

Entenda a polêmica
A China mantém, na região de Xinjiang, um campo de concentração para reprimir minorias muçulmanas do grupo uigur, que é acusado de terrorismo por Pequim, sem provas. Em tais campos de concentração, uigures que conseguiram escapar disseram sofrer tortura psicológica, como negação da fé muçulmana e adoração ao Partido Comunista Chinês, fome, lavagem cerebral e trabalho escravo, do qual Nike, Apple, Coca-Cola e outras empresas se beneficiam. 

Hipocrisia
Nike e Apple já aderiram às pressões do grupo anônimo Sleeping Giants, que persegue, com ameaças, sites de direita, pressionando seus anunciantes a remover os anúncios sob a acusação falsa de tais sites espalharem "fake news e discurso de ódio".
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