30/11/2020 às 10h49min - Atualizada em 30/11/2020 às 10h49min

O que as eleições de 2020 têm a dizer sobre 2022?

Pesquisas erram só de um lado e torcida no ‘mainstream’ força análise em base movediça para 2022

Vinicius Mariano
Revista Oeste
Desde o primeiro turno, é uníssona a análise dos entendedores da ciência política das grandes universidades, favoritos do mainstream: o presidente Jair Bolsonaro saiu derrotado das urnas. Neste domingo, 29, não foi diferente. Todas as pesquisas que erraram feio de novo apontaram, antes mesmo do resultado do segundo turno, que ele foi o grande perdedor. Mas, para além da torcida canhota, fica a pergunta tenaz: qual é a relação comprovada do placar das urnas em pleitos municipais com o nacional? A resposta é: zero (ou quase isso). Nenhuma foi estatisticamente comprovada.

Ah, mas o presidente resolveu apoiar em lives na internet meia dúzia de nomes que perderam! De novo: o que isso significa para 2022? Nada. Eleições nas praças municipais são casadas com deputados que empenham emendas em redutos de votos — para ambos interessam, e isso é legítimo. Dois anos serão muitos anos para o eleitorado brasileiro reerguer-se depois que — e quando — os governadores e prefeitos autorizarem os seus a voltarem a viver. Um novo trancamento atroz se avizinha no pós-urnas já nesta semana, quiçá, porque o vírus já votou.

Ao governo federal, o que importa agora é aprovar as reformas estruturantes e encontrar uma forma de conciliar o auxílio emergencial que salvou famílias ao teto de gastos. O resto é balela. A economia elege presidentes; já o buraco na rua, a creche e o poste sem luz elegem prefeitos e vereadores. Isso os brasileiros sabem, mas os velhos jornais ainda não — ou não querem saber.

Quem acompanhou o discurso do prefeito eleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), após a vitória, notou uma larga presença ao lado, do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ali está a eleição que importa daqui para a frente: a de Eduardo Paes? Não, não. Mas a tentativa de Maia de seguir na cadeira no “tapetão” — aguardemos o Supremo Tribunal Federal (STF) — e sabotar a agenda do Executivo nos próximos anos com olhos para 2022. É ali que mora o perigo.
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