21/09/2020 às 13h42min - Atualizada em 21/09/2020 às 12h39min

American Way of Life

Andrea Wainchtock

            Dia desses, uma página no Instagram postou um vídeo filmado dentro de uma Target (rede de supermercado americana) onde um grupo de umas 10 pessoas protestavam contra o uso da máscara. Para um americano, só mais uma manifestação, mas na página desta brasileira que vive aqui nos EUA, dona desse perfil na rede social, um absurdo.
            Esse post me levou a refletir sobre o estrangeiro que vem para a América. O que faz essas pessoas a começar uma nova vida aqui? Não faço essa pergunta àqueles que, sem melhores condições no Brasil, buscam uma vida melhor aqui. Não, eu pergunto aos brasileiros que tinham uma boa situação econômica no Brasil e apesar disso, abrem mão do conforto de viver no próprio país para começar uma nova vida em terras estrangeiras.
             Esse questionamento eu tenho feito a praticamente todas as pessoas que cruzam o meu caminho e perdem um tempo numa boa conversa. Muitos são os motivos, mas principalmente o desgosto de como as coisas vão no Brasil. O tal do jeitinho brasileiro, a burocracia, as coisas que não andam como deveriam. Esses brasileiros que em sua maioria costumavam passar férias aqui, eram deslumbrados com que encontravam e a frase mais comum que ouvi foi: “Aqui as coisas funcionam!”. 
            É, na maioria das vezes, funcionam. E por que funcionam? Muitas são as respostas para essa pergunta: a obediência às leis, a facilidade para empreender, mas principalmente a liberdade, seja ela em todos os aspectos. Liberdade garantida numa Constituição que assegurou a todos os americanos o direito de pensar e expressar o seu pensamento, fosse qual fosse e da maneira que quisesse. Mesmo o Politicamente Correto que há 20 anos faz um esforço tremendo para usurpar esse direito, e que é responsável por uma geração de jovens frágeis que se doem com qualquer coisa e adultos “descolados” que parece que esqueceram o que fizeram nos anos 80 e 90, ainda assim, a liberdade de expressão existe aqui. 
            O mais engraçado é ver esses brasileiros e também estrangeiros, que chegam e querem transformar o lugar no mais parecido possível com o que tinha em seus países de origem. E aí lançam mão das manias e hábitos que fizeram do seu país uma bagunça e o empregam aqui. A mente pequena também vem junto. A crítica ao estilo de vida dos americanos, ao direito de se manifestar e de expressar suas opiniões, tudo é motivo para eles torcerem o nariz. 
            Quanto a manifestação no Target, li algumas pessoas escrevendo no post “o direito de um, termina onde começa o do outro”. Sinceramente, para mim não há nada mais idiota que essa frase. Simplesmente porque não sabemos aonde começa esse “direito” do outro, principalmente numa sociedade atual que se mostra cheia de direitos e nenhum dever. Além disso, é um argumento usado para quem não os tem de verdade e saca essa máxima do nada na tentativa de calar o outro. Esses mimizentos que têm pouco compromisso com o dever se doem por qualquer coisa, tudo os insulta e os ofende e assim vão apontando seus dedos na cara de qualquer um que exponha uma ideia diferente. Quando olham um americano exercendo o direito prescrito na Primeira Emenda não entendem que eles não estão avançando sobre o direito de ninguém, mas apenas exercendo o deles. Essa é a beleza da Constituição Americana. Todo americano a conhece até a sua raiz e ai de quem tente burlar seu direito garantido por ela, seja cidadão ou governo. Aí vem um brasileiro que nem conhece o artigo 5°da sua Constituição que lhe garante os direitos básicos como cidadão e questiona as atitudes dos americanos, sendo que é apenas um estrangeiro que foi permitido viver aqui. Mal sabe esse estrangeiro que tudo o que ele admira nessa terra foi construído sobre os pilares dessa liberdade que ele condena.
            Eu torço que essa enxurrada de brasileiros que vieram morar aqui parem, observem e aprendam um pouco com as boas coisas do país, e se possível tragam o que nós temos de bom. Não adianta querer viver o estilo de vida americano se tudo o que se quer é viver os vícios e maus hábitos da terra natal. Era melhor ter ficado em casa.
            
 
             
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