07/09/2020 às 20h09min - Atualizada em 07/09/2020 às 19h06min

198 Anos de Maioridade

Andrea Wainchtock
            Comecei minha coluna aqui na Tribuna Nacional falando da independência americana, e hoje, data da comemoração da independência brasileira, não podia me furtar a escrever algumas linhas.
            Ainda me choca olhar para trás e ver como aprendemos História na escola, o jeito desleixado, chato e burocrático que as informações são passadas que não permite que ninguém se interesse pelo assunto. Aliás, como já falei em outro artigo aqui na coluna (A História Negada), essa falha leva a nossa autoestima patriótica beirar as canelas.
            Cresci em meio a uma geração em que as cores verde e amarelo eram cafonas, em que falar de patriotismo era risível, acreditando que verde simboliza nossas matas e o amarelo o ouro do país. Em contrapartida, amávamos e admirávamos os americanos, que colocavam a bandeira americana aonde podiam. Quem com mais de 40 anos aqui não vibrou com Top Gun, baita propaganda da aviação naval americana? Enquanto isso, o verde e amarelo só era bacana durante a Copa.
            Nenhuma feminista te contou que a primeira mulher no poder no Brasil foi a austríaca Maria Leopoldina. Não só estava com a regência, como preparou o terreno, juntamente com José Bonifácio, para a separação e ainda incentivou ao marido, o então príncipe-regente D. Pedro a tomar atitude, uma vez que as cortes portuguesas queriam levar o Brasil ao status quo de antes da vinda da família real, a relés escravo de uma Portugal já em decadência. D. Pedro fez a independência e junto com os brasileiros lutou por ela por cerca de três anos até o reconhecimento por Portugal, em 1825. E ali, o Brasil como nação nasceu.
            “O preço da liberdade é a eterna vigilância”, já dizia Thomas Jefferson, um dos pais fundadores da nação americana, que ajudou a escrever a constituição que perdura até hoje. Ele sabia o que dizia. Liberdade não vem de graça. Geralmente é ganha depois de guerras e sangue do povo que luta por ela. Liberdade não é nata no ser-humano, ela é conquistada. E uma vez conquistada ela deve ser protegida e vigiada para que não a percamos. O brasileiro tem o infeliz sentimento de orfandade que o leva a procurar um pai –ou mãe- em cada candidato a presidente da república. Não mais errado que pedir protetorado a um político (ou a quem quer que seja). Político existe para servir ao povo e não ao contrário. 
            Infelizmente nos dias de hoje vemos o povo servindo lagosta e vinhos importados à ministros que se autointitulam “editores” do país. À políticos que dizem que o congresso não é cartório para brasileiro dizer o que quer. E assim, nossa liberdade se esvai aos poucos enquanto o povo mendiga por uma paternidade que não existe e nunca existirá. 
            Meu recado nesse dia é esse: Cento e noventa e oito anos é tempo suficiente para assumir a responsabilidade por si mesmo e nunca mais permitir que te afrontem e roubem sua liberdade como está acontecendo nesses dias. Cresça, Brasil!
            
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Crônicas da vida na América

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