31/08/2020 às 00h26min - Atualizada em 31/08/2020 às 23h02min

Saúde na Terra do Tio Sam

Andrea Wainchtock

 
            Se tem uma coisa que pode levar um americano à falência com certeza é o serviço médico. Uma das primeiras coisas que aprendi quando cheguei aqui é só ir à um hospital em caso de tiro ou facada. Se a facada der para resolver com qualquer super band-aid da CVS, melhor ainda. Evite hospital com todas as suas forças, foi o conselho.
            Já ouvi casos fantásticos de como estrepar sua conta bancária com um simples dedo cortado ou quebrado. Braço quebrado? Dez mil dólares fácil! O brasileiro tão acostumado a qualquer coisa ir logo para a emergência, chega aqui e se endivida rapidamente com seus problemas “emergenciais” e aprende à duras penas o por quê das farmácias aqui serem tão legais que você costumava se esbaldar quando vinha como turista. Só depois de você utilizar todos os recursos de uma CVS ou Walgreens, e até do Google (que provavelmente vai te dizer que você tem câncer) é que você deve se render e procurar um urgente care. 
            Urgente Care são centros médicos de urgência e você procura para aqueles casos que precisa de uma radiografia ou algo que não esteja consertando na farmácia, tipo aquelas clínicas da unimed. Dica: não use o seu seguro saúde.
            Seguros saúde são um capítulo à parte. Você precisa ter um, porque a sua vida pode acabar caso não tenha, mesmo que ela seja salva pelos médicos. Um dos maiores motivos que levam americanos à falência são os gastos com saúde. Um bom plano de saúde pode diminuir o problema, mas aqui você paga parte das despesas médica. É como o seguro de carro no Brasil, quando você precisa usa-lo, acaba arcando com uma parte do valor também. O problema é que tudo fica mais caro quando o seguro saúde entra em ação. Os preços tendem a triplicar, porque como no Brasil, os prestadores de serviço são muito mal pagos por eles. 
            Dia desses, eu querendo dar uma de natureba e por indicação, resolvi dar geleia real para meu filho. Geleia real é um produto produzido pelas abelhas para alimentar a abelha-rainha, e é considerado um alimento funcional. Enfim, querendo fazer beija-flor, acabei por criar um tremendo urubu! Cinco minutos após dar ao meu filho uma pitada do negócio, ele volta com a mão na garganta e mal conseguindo falar e sem conseguir engolir a saliva. Pronto! O moleque é alérgico a subproduto das abelhas! Foi o que pensei. Por sorte ele conseguiu vomitar, mas antes disso, vendo que ele provavelmente estava com a glote fechada eu teria que ligar para o 911.
            Juro, e Deus me perdoe por isso, mas eu ainda me segurei para ligar para a emergência. Ou está pensando que o estado te manda uma ambulância toda linda e brilhante, superequipada, com um trio de paramédicos lindos (estou desconfiada que existe algum concurso de beleza para escolher paramédicos) de graça?! O passeio do Uber do 911 com sinais de trânsito todos abertos para você custa 600 dólares até à porta do hospital. Entrou no hospital, mil dólares e lá vai!
            Bom, o negócio é que eu queria salvar o meu filho, claro, mas se possível sem entrar na ambulância ou leva-lo para o hospital. Pelo telefone, a atendente me pediu que o levasse para fora (não sei se dentro de casa o serviço fica mais caro) e quando vi já tinha uma maca do lado de fora e esperando por ele. Gemi. Quanto? U$200.00? E tinha lençol. Mais 100.00, certeza. Juro que eu estava nervosa. Não sei se por causa do meu filho, da ambulância ou tudo junto. Fizeram ele sentar na maca. Gemi de novo. Examinaram-no, enquanto um deles conversava comigo para saber detalhes do ocorrido. Nesse interim, meu filho se recuperou. O fato de ter vomitado provavelmente o ajudou. Me perguntaram se eu queria leva-lo para o hospital. Deus me livre! Quase perguntei se podia lavar o lençol! Sabe como é, podendo conter gastos... 
 
OBS: Ainda estou esperando para ver se alguma conta vai chegar, ninguém soube me dizer. Rezando...
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Andrea Wainchtock

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