27/08/2020 às 22h21min - Atualizada em 27/08/2020 às 22h19min

No circo da Suprema arrogância, Luís Roberto Barroso é o arlequim

Haja palhaçada!

DO AUTOR
Kaio Lopes
A CRÍTICA (REPRODUÇÃO)
Quem é Luís Roberto Barroso para afirmar, em língua inglesa - ou em qualquer outra, que Bolsonaro defende a ditadura? Aliás, como é possível ele reiterar tamanha calúnia através de um evento promovido pela Fundação FHC, a mesma que volta e meia sofria investigações no âmbito da Polícia Federal? Você deve estar pensando naquela palavra: ''ninguém''. É aí que está o nosso erro e a nossa inocência, afinal, ele é alguém, uma personalidade cuja toga não é suficientemente discreta para omitir sua ausência de caráter. 

Ainda em 2005, o ministro, em entrevista reproduzida pela UOL, afirmou que se incluía numa ''esquerda democrática'' durante determinado contexto histórico. Como se ser esquerdista e democrático, por si só, não fosse um insulto contra a simbiose e uma incoerência autoprobante. Ele, vale destacar, foi quem advogou o criminoso Cesare Battisti (perpetuado no inferno e na justiça criminal pela participação no assassinato de 4 pessoas). Não obstante, teceu solidariedade para/com este: ''O Cesare era uma figura menor, de um movimento político menor. Nada explicava aquela proeminência. Ele foi vítima de uma campanha política italiana que teve eco no Brasil. Por isso, uma questão fácil sob o enfoque jurídico tornou-se uma batalha repleta de paixões. Antes de aceitar a causa, eu estudei o processo. Li os 18 volumes da causa italiana e me convenci de que não tinha sido ele, que foi o bode expiatório porque tinha fugido'', destacou o apaixonado comunista à revista Valor Econômico.

Barroso também é defensor da descriminalização do aborto, porque, segundo ele, ''criminalizá-lo é uma má política pública''. Como se a gravidez, na hipótese de consenso sexual e conhecimento dos riscos inerentes à prática, não fosse uma consequência da vida privada. Aliás, em 2016, foi ele o responsável por conceder habeas-corpus que revogava a prisão preventiva de funcionários de uma clínica clandestina de aborto, relatando que ''não é crime a interrupção voluntária da gestação efetivada no primeiro trimestre'', ignorando que o objeto da matéria não era somente a prática, mas os recursos utilizados e a situação de ilegalidade do local. 

O ministro, apesar de se autoafirmar ''liberal'' ou ''social democrata'', em favor da redução do Estado, acredita que este último precisa ter posição frontal diante de decisões tão íntimas quanto à interruptação de uma gestação. Se o signo da contradição pudesse ser personificado, seria na figura desse camarada. 

Com um currículo adequado ao governo à época, Barroso foi indicado ao STF pela também palhaça (lê-se Dilma Rousseff). A partir da sua entrada na Corte, na iminência do fim do processo do Mensalão, ele assumiu a relatoria desta matéria. Tão logo o fez também em relação ao seu posicionamento político, afirmando que os julgamentos foram ''um ponto fora da curva'' na história e os considerou ''mais investigados, mas não mais escandolosos''. Isso mesmo: ele diminuiu um escândalo responsável por um desvio na ordem de ''ínfimos'' R$ 141 milhões. 

Além disso, Luís Roberto Barroso prestou suas condolências ao José Genoino: ''Lamento, sobretudo, condenar um homem que, segundo todas as fontes confiáveis, leva uma vida modesta e jamais lucrou financeiramente com a poítica'', disse em plenário mor da capital federal. Em 2016, o ministro colaborou para o perdão da pena de José Dirceu pelo Mensalão. Por isso, teve de escutar do viciado em libertar bandidos, Gilmar Mendes, em plena sessão: ''Vossa excelência, quando chegou aqui, soltou o Zé Dirceu''.

Defensor assíduo do inquérito superficial das ''fake news'', ele afirmou: ''A democracia tem espaço para vários pensamentos políticos, de conservadores e progressistas, mas não tem espaço para violências, para as ameaças e para os discursos de ódio. Isso não é liberdade de expressão. Isso tem outro nome e se insere na rubrica da criminalidade''. E quanto ao seu retweet numa publicação que denigre o chefe do nosso Executivo, Barroso? Acredito que se insira na rubrica da parcialidade judicial. 

''Acho que são pessoas desajustadas, mas em quantidade irrisória'', declarou o ministro (sobre supostos antidemocráticos) no quadrado programa ''Roda Viva''. É engraçado como, de repente, concordo contigo, vossa Excelência. Mas, vem cá, confirma pra mim: estamos falando dos 11 ministros que compõem o Supremo, não?

A respeito do cenário pandêmico, Barroso disse ter ''impedido um genocídio'' a partir do veto à sobreposição de medidas federais contra decisões estaduais e municipais. O irônico, porém, é que os Estados e seus respectivos municípios agiram. Resultado: já nos aproximamos de 120 mil mortes. 

Como um palhaço sempre encontra um parceiro de carreira, Barroso, fluminense que é, encontrou seu Patatá: Felipe Neto. Sotaques que se completam, né? Ambos dizem bobagens com X. E durante uma live da dupla, afirmou que precisamos de um ''choque de iluminismo''. Ponderou sobre a necessidade de termos RAZÃO, CIÊNCIA, HUMANISMO E PROGRESSO SOCIAL, tudo em conformidade, para que sejamos LIVRES, IGUAIS E MINIMAMENTE SATISFEITOS. 

Esqueceu o engraçadinho, porém, que suas decisões têm sido meramente baseadas na EMOÇÃO, na TEORIA, na DISTÂNCIA ÀS NECESSIDADES POPULARES e na DESIGUALDADE SOCIAL.

''Na minha vivência brasileira, sou convencido de que o Estado, na sua atuação econômica, é quase sempre um Midas pelo avesso; o que ele toca vira lata'', ironizou Barroso. Como não me chamo Sileno, não estou em posição de pensar o oposto. Nem o faria, afinal, com isto eu concordo. 

Pois é, leitores! Está documentado, por a+b, que Luís Roberto Barroso é um palhaço. Nos backstages do circo, ele se maquia. No palco, é um exímio malabarista. No degredo à realidade, assume sua segunda cara. Se Bolsonaro é o ''ditador'' do Brasil, o ministro é um lunático de Frígia. 
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