22/08/2020 às 14h43min - Atualizada em 22/08/2020 às 14h41min

A importância do rap gospel para o evangelho

''Expressão Ativa'' e ''Ao Cubo'' cumprem papel fundamental para a propagação da fé

DO AUTOR
Kaio Lopes
Ter a dicotomia entre o trabalho exercido e a preferência musical é o primeiro passo para admitirmos um fato: o rap gospel, representando como ninguém o evangelho, especialmente em São Paulo, consegue atingir o público mais carente e traz para este a palavra de Deus. Ao passo em que crescemos e passamos a observar as letras dos grupos, nos damos conta do quão especiais são as histórias contadas e o quanto representam uma realidade nem tão distante de nós. Neste artigo, porém, vou me ater à dois grupos específicos: os paulistanos ''Expressão Ativa'' e ''Ao Cubo''; ambos têm um alcance considerável no cenário musical do rap nacional e, exatamente por isso, me inspiraram ao tema trazido. 

Enquanto muitos grupos de rap se restringem ao tratamento da evidente desigualdade social que assola as metrópoles, estes dois, em particular, incumbidos pela fé religiosa, procuram mostrar aos seus ouvintes que a maior superação passa por Jesus: deixar o crime de lado, batalhar por um futuro promissor, ser grato pelo mais trivial prato de comida, respeitar os pais. São todas mensagens cruciais nas suas músicas. 

Em ''Na dor de uma lágrima'', o Expressão Ativa reitera o quão significativo é o simbolismo da morte e faz um paralelo entre sua chegada e a busca pela paz divina: ''Não diga pra Deus que você tem um problema. Diga ao seu problema que você tem um Deus maior'', canta em louvor; em ''O Homem Chora ou Último perdão'', através da linguagem narrada, é posta em ordem a história de um criminoso arrependido pelos seus atos atrozes, e agora, sabido do quão pecador foi em vida, implora pelo perdão no leito da sua morte: ''Deus! Meus olhos se fecharam. Me dê uma luz. Vinde à mim, Jesus!'', chora o protagonista. 

Há mais de 25 anos dando ritmo e melodia em nome do Senhor, o grupo faz jus ao seu nome e faz da sua atividade uma imprescindível expressão sagrada.

Já o ''Ao Cubo'', há 17 anos, dá excelência ao rap por meio de relatos em forma de música. Em ''Naquela sala'', por exemplo, é feita uma alusão ao velório de um rapaz novo, vítima de sua própria violência, indiferente à sua própria realidade e alheio à salvação cristã. O estribilho diz: ''Sabe quanto eu lutei pra fazer você feliz. Eu te eduquei. Não tinha dinheiro, mas te ensinei. A minha parte eu sei que fiz'' - trata-se de um desabafo da sua mãe. A exímia canção, entre outras coisas, explica que o crime não compensa quando a recompensa é efêmera e profana; em ''Mil desculpas'', durante um diálogo entre a mãe e o filho, ele lhe conta sobre seus erros e confessa sua esperança em Deus, enquanto ela, desestruturada pela situação, desaba em meio à perda dele. 

O grupo, contudo, como poucos, cultiva a necessidade do perdão perante ao Senhor e tenta, ainda que por ''palavras duras em voz de veludo'', dar luz àquela alma: a perdida, podre, pobre de espírito. 

É assim, assistindo às favelas quando o catolicismo renuncia à elas, que o rap gospel torna mais forte o poder do evangelho.
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