18/07/2020 às 14h57min - Atualizada em 18/07/2020 às 14h56min

OLAVO TEM CORAÇÃO

Uma carta aberta ao mestre

DO AUTOR
Kaio Lopes
EL PAÍS (REPRODUÇÃO)
Permitam-me dar início ao que direi hoje fazendo jus aos aprendizados do professor: prestem atenção nas minhas palavras, porra! Cômico ou não, controverso ou não, amado ou não, o fato é que Olavo de Carvalho é, atualmente, o propósito de estarmos aqui. OK! Eu entendo parecer um tanto fanático, mas é apenas uma constatação para a elucidação seguinte: eu não o li muito, aliás, não o suficiente para dizer que sou um olavista em simbiose mencionável com o olavismo, e com certeza, tão cedo ele não deve fazê-lo com meus dizeres. Apesar disso, aquilo que li, à luz da consciência, me trouxe mais do que sermões e verdades tão clarividentes, mas permitiu trazer a minha sombra tão dentro de mim quanto meu espírito. Foi aí que me dei conta não ter sido, até então, muita coisa, ter ignorado minha plenitude e me submetido ao conformismo de afirmar saber sem sequer ter concebido o que parece pensar. É instantâneo com o professor: tão cedo o conhece; de repente se conhece. A partir daí, comecei a pensar em recuperar o tempo perdido e admitir desconhecer a certeza de outrora, não só a critério de caráter, mas para o exercício da minha individualidade. 

Devo confessá-los, leitores, o quanto Olavo representa: antes dele, ''A Tabacaria'', por Álvaro de Campos (um dos ilustres heterônimos de Pessoa), e Poema em linha reta, do mesmo personagem, eram tão belos quanto distantes de mim, porque entendia a beleza das poesias, mas me perdia na ignorância da minha interpretação sobre elas. Após acompanhar o mestre, seja em suas preciosas aulas online ou, mesmo, por meio dos seus artigos precisos, dei-me a chance de reler os clássicos. E o fiz. Percebi, nas entrelinhas, o quão sincero sobre si próprio era Fernando Pessoa. O cara era, sem dúvidas, genial. E o mesmo cara, sem sombra delas, imperfeito. Cada um no seu tempo, cada qual em um contexto, ambos implacáveis e diretos: para o poeta português, o comunismo é uma antidoutrina ou contradoutrina; para o jornalista brasileiro, é um perigo presente ou antro de filhos da ''puta'' sem o pingo de caráter. 

O professor, antes de tudo, é um ser-humano de primeiríssima qualidade. Vê-se isso naquilo previsto por ele. A propósito, cabe explicá-los: a previsão de que falo é no sentido de cautela e antecipação, definida pela experiência sobre o mundo e conhecimento prático e óbvio dos fatos conseguintes. Há 14 anos, no afã para eleger um dos maiores atrasos de nosso tempo (leia-se Lula), em estado de tenra consciência, me propus a colaborar, torci pela tragédia como poucas vezes havia feito pelo meu time do coração. Enquanto isso, Olavo alertava-nos. E o que fizesemos, senão todo o oposto do nosso dever? Aplaudimos nossa perda. 

Peço-lhes uma permissão definitiva: reflitam comigo. O representante mor do despertar brasileiro é Olavo. Ele abraçou a razão, é claro. Mas há algo maior, uma força constante, pulsante e sentinte, um estímulo vital e uma batida primordial que antecede o pensamento racional. O filósofo, inclusive, por sê-lo, acima de tudo, tem isso: OLAVO TEM É CORAÇÃO.
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Crônicas e posições em geral.

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