21/08/2020 às 16h45min - Atualizada em 21/08/2020 às 16h45min

Existe outra São Paulo sob seus pés

Quem transita a pé ou de carro pela maior cidade do Brasil muitas vezes pode não imaginar os segredos que ela esconde embaixo da Terra.

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Google reprodução

Existe outra cidade sob São Paulo: passagens, túneis e porões têm as mais variadas funções.
Segredos escondidos no subterrâneo de São Paulo.
O sub-solo de São Paulo está repleto de histórias reais, heróis enterrados, túneis secretos, lendas e boatos.
Quem transita a pé ou de carro pela maior cidade do Brasil muitas vezes pode não imaginar os segredos que ela esconde embaixo da Terra. E não estamos falando do metrô nem de túneis para carros. Existe praticamente outra cidade no subsolo de São Paulo.
Existe uma outra cidade com diversos túneis e muitas ramificações que nem sonhamos que existam sob nossos pés. Alguns são do conhecimento do público, mas a maioria nem sonhamos onde ficam , sua porta de entrada e muito menos onde fica a saída.

Para o escritor Alberto Mawakdiye, o subsolo da capital se destaca pela antiguidade e pelo valor histórico
.“Entre as cidades brasileiras, São Paulo é a única que mantém points subterrâneos com opções que incluem teatros, monumentos, restaurantes, aquários e até catacumbas e destroços urbanos”, disse num artigo publicado pelo Sesc.

Então vamos lá conhecer os subterrâneos dessa metrópole:

Túnel da Casa das Caldeiras
Fundada em 1920 para abrigar caldeiras que a família Matarazzo havia comprado da Europa, o prédio hoje é tombado pelo Patrimônio Histórico. Ali funcionava a produção de energia para todo o parque industrial de uma das famílias mais poderosas da cidade na época.
Feito todo de alvenaria de tijolos, é possível caminhar abaixo do nível do chão e ver as três chaminés pelo lado de dentro. Os túneis hoje cediam exposições e a Casa se tornou um polo cultural alternativo de grandes festas e eventos.
 

Porões do Teatro Municipal

Originalmente, esses espaços foram criados para ajudar na ventilação da sala de concertos. Mas a utilização real deles foi mudando com o passar dos anos. Houve uma época em que um túnel saía do Teatro em direção ao antigo Hotel Esplanada, localizado onde hoje é a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento.
Reza a lenda que ninguém sabe muito bem onde esse túnel desemboca no Teatro, já que a saída no subsolo da Secretaria é a única conhecida. O fato é que ele era usado para grandes artistas chegarem ao teatro sem ter que atravessar a Praça Ramos de Azevedo.

Subsolo Hospital das Clínicas

Se você se interessou pelo lugar, é bom saber que talvez seja melhor não andar por lá. De uso exclusivo dos funcionários, o túnel a 3,5 metros abaixo do chão serve para o trânsito de cadáveres.
Mais precisamente, a passagem de cerca de 90 metros liga de uma maneira rápida e discreta o Instituto do Hospital das Clínicas ao Serviço de Verificação de Óbitos. Diz-se que as famílias de Elis Regina e Raul Seixas acessaram o lugar na morte dos músicos para terem mais privacidade no luto.

Cripta da Catedral da Sé

Aberto ao público, a cripta está no roteiro do passeio idealizado por Cauê Lage. “O espaço serve para conhecermos São Paulo de um jeito diferente”, justifica. Se trata de uma capela subterrânea construída sete metros abaixo do principal altar da igreja.
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Com mais de 600 metros quadrados, a construção gótica abriga restos mortais de bispos e arcebispos. Entre as personalidades ali encontradas, estão o cacique Tibiriçá, um dos primeiros índios catequizados, e Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo do estado que lutou contra a ditadura.

Estação abandonada do Metrô

Existiu o projeto de interligar a estação Pedro II do metrô com linhas de trem metropolitano, no modelo que acontece na Estação Brás. Como se São Paulo não precisasse de mais linhas de transporte coletivo, o plano foi cancelado, mas as obras já haviam sido iniciadas. É por isso que bem abaixo da Pedro II existe toda uma estrutura abandonada desde o fim dos anos 1960. Ela iria servir de plataforma para os trens que chegariam ali.

Subsolo do Conjunto Nacional

Abaixo do Conjunto Nacional existe uma galeria de dois mil metros quadrados e a única entrada é um bueiro na esquina da Avenida Paulista com a rua Augusta. Se trata de outro espaço abandonado do subsolo da cidade bem abaixo da via mais famosa da cidade. Aliás, há ali 22 galerias subterrâneas não utilizadas.



Esses espaços permanecem abandonados desde 1967, quando um projeto ampliou a largura da avenida e tomou parte dos prédios. Na superfície, houve recuo dos imóveis. Abaixo da terra, espaços que eram usados como garagens viraram públicos, mas nenhuma administração soube como utilizar.
 

Túnel da Rota

A passagem que já teve quase três quilômetros de extensão hoje mal chega aos cem metros. É que boa parte foi aterrada para construção do metrô. Localizado no subsolo do quartel da tropa da Polícia Militar, já foi usado para transporte de presos políticos durante a ditadura. Hoje abriga um memorial com antiguidades do batalhão.

Teatro Centro da Terra




Inaugurada em 2001, a obra levou dez anos para ser concluída. Ou você achou que abrigar toda a estrutura de um teatro 12 metros abaixo da terra seria rápido de construir? Para chegar tão fundo e assistir alguma peça, no “espaço que é referência de bom teatro em São Paulo”, segundo o escrito Alberto Mawakdiye, espectadores precisam de capacetes e luzes para descer os túneis.
 
Monumento da Independência

Abaixo do Parque da Independência foi construído em 1922 o Monumento. É lá onde hoje estão os restos mortais de Dom Pedro I e suas duas esposas – as imperatrizes Leopoldina e dona Amélia. A cripta foi construída somente nos anos 1950 e demorou outros 50 anos para ser aberta ao público.



Aquário Subterrâneo no Parque da Luz
 

Quem passeia pelo Parque da Luz, bem no centro da cidade, pode não saber que o lugar abriga um aquário abaixo da terra. Situado numa espécie de caverna, faz parte das atrações do parque. Não será o maior aquário que você vai ver na vida, mas pode agradar por ser inusitado.


Obelisco Ibirapuera

É curioso imaginar que um monumento feito para impressionar pelos 72 metros de altura tenha atrações no subsolo. Mas a gente esquece que o nome real do monumento é “Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32” e sendo um mausoléu, os restos mortais dos heróis precisam estar
em algum lugar.





Passagem Literária da Consolação

O que antes era uma passagem escura na esquina da Avenida da Consolação com a Paulista hoje abriga um dos pontos mais curiosos do centro. Há sete anos, o tom soturno do lugar deu espaço à cultura, literatura e música. Um sebo permanente funciona na passagem e há também exposições e shows, além de vários grafites e colagens na parede.

 

Desinteresse político pelo subsolo

Mesmo assim, se há curiosidade da população em conhecer o subsolo da cidade, a classe política não compartilha desse interesse. “Hoje em dia pensar uma galeria subterrânea de uso público é algo praticamente impossível”, diz Vera Maria Pallamin, doutora em arquitetura e urbanismo pela Universidade de São Paulo.
Ela cita o exemplo de cidades canadenses que, por conta do frio intenso, tem as vias subterrâneas como protagonistas da vida urbana – tuneis interligam metrôs e espaços de entretenimento para toda a população. “O abandono de muitas ligações subterrâneas nas grandes cidades brasileiras está diretamente ligado ao aumento de tensão, controle e vulnerabilidade nos espaços públicos, especialmente nas últimas três décadas”, avalia.

Aproveite e conheça de perto esses lugares incríveis, o turismólogo Cauê Lage montou um passeio chamado “Trip Subterrânea” que percorre pontos escondidos da capital. Mais de 400 pessoas já foram conhecer lugares escondidos com ele, que informou que 80% dos participantes são moradores da cidade.


 
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