18/08/2020 às 14h05min - Atualizada em 18/08/2020 às 13h21min

A sociedade é quem perdeu no caso da ''gravidez precoce'' e do ''aborto tardio''

De um lado, a deturpação da fé; do outro, a demagogia política

DO AUTOR
Kaio Lopes
MOGI NEWS (REPRODUÇÃO)
Qualquer assunto que envolva uma criança, por mais controverso que seja, precisa ser tratado com cautela. Na maioria das vezes, não conhecemos o cenário no qual ela cresceu, as pessoas com quem ela conviveu e as influências que a cercaram. É justamente por isso, nada além disso, que devemos dar a ela o espaço necessário e o ambiente adequado. É imprescindível, pelo menos agora, deixar a política de lado. É importante, sem dúvidas, respeitar a liberdade religiosa. Como é possível dizermos não haver FÉ numa alma em pleno desenvolvimento, que foi submetida ao mais bárbaro crime que conhecemos, o estupro, mas, ainda assim, permanece viva? E como é patético, porém, dar tamanha publicidade ao fato somente por causa ideológica! A maior bobagem que eu li a respeito foi a associação dos fanáticos religiosos ao conservadorismo. Deixa eu explicá-los: o conservadorismo, acima de qualquer coisa, a exemplo do pleno pensamento direitista, respeita as liberdades individuais e a escolha consciente e independente de cada um, por mais discutível que seja esta em específico. 

Façamos uma reflexão: imagine, por um instante, que seu filho ou filha, sobrinho ou sobrinha, irmão ou irmã, primo ou prima, sofra abuso sexual por 4 anos consecutivos, quando, na realidade, deveria é estar descobrindo e experenciando o melhor da tenra idade. Sob quais circunstâncias alguém poderia atestar culpa à vítima? Nenhuma. E o fizeram. Pior: de repente, você descobre a situação através de uma gravidez precoce, aliás, precoce é eufemismo para a gestação aos 10 anos, porque, afinal, é uma situação anormal. E quando a decisão da sua família é tomada e vocês acompanham esta criança até o hospital - lugar este que imprescinde de silêncio - tu abre a janela do quarto em que uma cirúrgia seríssima é realizada e lá estão a imprensa nacional, um grupo de pseudos-cristãos e outra turma de militantes políticos. Você liga a TV e vê o rosto do monstro que causara aquilo; abre as redes sociais e dá de cara com esquizofrênicos duvidando da inocência infantil e outros loucos comemorando o procedimento realizado. 

Finalizado o aborto, perfis de esquerda exclamaram: ''Vencemos!''. Simultaneamente, irresponsáveis ditos evangélicos/católicos gritam: ''Assassina!''. Ambos, contudo, sem se darem conta de que não há nada justificando disputa e premiando um vencedor. Quanto situações como tal ocorrem, todos nós, quando não mortos por dentro, saímos derrotados por fora. O suspeito já foi preso, não que isso seja novidade para ele, afinal, é reincidente na vara criminal. Ou seja, tanto fez, tanto faz. O cara sabe o que fez e faria novamente - há precedentes históricos para afirmar isso. Quando a crista da onda diminuir, muito em breve, o estuprador estará solto nas esquinas mais próximas e outras pessoas estarão sujeitas ao seu comportamento animalesco e pouco assistido e penalizado pelas nossas Leis. E a criança, coitada, agora é carregada no colo de aproveitadores que a utilizam como mártir político e também ameaçada por charlatões indiferentes à verdadeira causa divina. 

Novamente, no final das contas, quem venceu foi a ignorância - seja ela representada pelo extremo que for. 
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